Humanista - Humanista, o que é isto?
O Papa sê-lo-á com certeza - todavia, a Inquisição «parece» ter tido pouco de Humanidade. E, mesmo na acção de muitos prelados da Igreja de hoje, parece haver muita pouca Humanidade.
De facto, em geral, da Humanidade de este ou daquele o que parece defini-la é «a Intenção» - já que, ser-se ou não Humanista, é algo que se localiza no Futuro, no desconhecido. Tem-se a Intenção, mas a correspondente acção pode conduzir a um resultado oposto ao pretendido.
Ser Humanista, num concepção simplista, é lutar pelo bem-estar dos outros - é uma forma de colocar em acção aquilo que no Ocidente se atribui a Jesus: amemos o próximo, mesmo o nosso inimigo.
De certo modo, terá sido isso que aconteceu com a Inquisição, como terá sido isso que aconteceu com a Revolução bolchevique e terá sido isso que aconteceu com Fidel de Castro. Fidel de Castro é sem dúvida um Humanista - todavia, o resultado do seu esforço para «amar os outros», e o de obrigar todos a seguir-lhe o exemplo, parece ter resultado mais como se os odiasse a todos do que se os amasse.
Infelizmente, em geral é sempre esse o resultado - até porque o Futuro é e continuará desconhecido, aleatório e imprevisível. Todavia, só falamos hoje de Fidel de Castro ou de Lenine e Estaline, ou de Mao, ou até de Hitler - todos grandes Humanistas - porque souberam tomar conta de um Estado que, por ser omnipotente e omnipresente, projectou as suas respectivas «Intenções» de Humanidade numa dimensão tal que, cada um deles individualmente, nunca o conseguiria, nem possivelmente conseguiriam convencer os vizinhos do lado num tal grau que a sua Intenção Humanitária se tornasse notada. Foi o Estado que lhes permitiu que tal acontecesse.
Mas, o que gostaria de salientar é outra coisa, muito menos óbvia - e incomum. É que se diz na imprensa que Fidel de Castro pensa abraçar de novo o Cristianismo - naturalmente, enquanto uma forma de praxis pessoal e enquanto uma crença Ideológica.
Nada se garante quando à sua veracidade. Todavia, a acontecer isso, só iria revelar o quanto de elevado poderá haver nesse homem. Muitos outros Humanistas - ainda que apreciadores das consequências «pouco ou nada Humanistas» dos seus próprios actos - nunca tiveram a coragem de dizer ao seu Povo e ao Mundo: desculpem, que eu errei.
Por exemplo, Mário Soares, sobre o qual não tenho dúvida alguma sobre a sua Intenção Humanista (ainda que possa estar a ser inocente): o Fundador do Portugal pós-25 de Abril, ainda não veio a público pedir desculpa aos portugueses. Muita da miséria para a qual os portugueses foram atirados e, até, para o estado de auto-destruição do País, no qual tudo está a cair na mão de estrangeiros - agora, nem é preciso imigrar para se ser trouxa-e-doméstica -, é o resultado, não previsível por ele, das suas próprias acções Humanitárias - tal qual Fidel de Castro ou Hitler ou Estaline. Nem Salazar, também um Humanista, fez tão mal a Portugal e ao Povo português.
Note-se que, com isso, eu não estou a criticar ou, até, a discordar da sua Humanidade. Toda a Intenção Humanitário é sempre potencialmente boa; a própria Intenção já o é em si-mesma. Eu nem estou mesmo a criticar que eles tenham tido a inteligência suficiente para tomarem nas suas mãos Estados «fortes», omnipresentes e omnipotentes, susceptíveis de transformarem em acção, com elevadíssima eficácia, as suas Intenções.
O que eu estou a criticar é que lhe tenha faltado - pelo menos, até agora - a Honestidade Intelectual - e, igualmente, Humanista - para vir a público pedir desculpa, dizer que Errou; pelo menos, vir a público interrogar-se a si-próprio e aos seus correlegionários: «aonde nós Errámos?» Como foi possível que tivéssemos conduzido e-ou permitido-conduzir este País à sua própria auto-destruição?
É isso que Fidel de Castro fará se abraçar de novo o Cristianismo - já que o Comunismo, que o orientou na sua acção, na acção da qual emergiu precisamente o oposto daquilo que era a sua Intenção, é a antítese do Cristianismo.
Se tal acontecer, Fidel de Castro não está só a pedir desculpa ao Povo Cubano, Fidel de Castro está a Libertar o Povo Cubano para que procure outras vias - pois, o Humanismo, em si-mesmo, e a sua possibilidade não morreram.
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