Nos seus discursos, o PM de Portugal tem vindo a salientar o quanto o Estado tem de «libertar» a sociedade civil do seu peso e tem de deixá-la operar. De certo modo isso é uma esperança no sentido do que tenho vindo defendendo: de que Portugal precisa urgentemente de uma democracia liberal.
Todavia, há nisso um contra-senso lógico: é por «Vontade» do PM - cá está o Estado plenipotenciário - que Portugal se deve liberalizar, isto é que o Estado se «retire» dando espaço à cidadania. Sinceramente, duvido que dê certo - porque, o alicerce dessa Vontade é contraditório à sustentabilidade dessa Vontade.
Por outro lado, a própria escada-social por aonde o PM teve de subir para ser «escolhido» para poder-ser eleito (pelo Povo), é ela-própria uma escada-social anti-liberal, caso contrário nem existiria na forma como existe em Portugal. Ou seja, o PM está amarrado a essa escada-social, vai ter de lhe «pagar» o crédito que lhe foi dado, e isso só é possível pela acção anti-liberal do Estado: protegendo os interesses pessoais dos membros dessa escada-social.
Com isso não pretendo dizer que o PM não tenha boas intenções. Mas, uma coisa são as intenções e outras as acções que pode tomar.
O exemplo do BPN e do duplo pagamento à Lusoponte e ainda a demissão do Secretário de Estado da Energia são bons exemplos de como a escada-social está a ter de ser «paga» pelo PM.
A única forma de levar a bom porto a liberalização de Portugal seria tirar o Estado desse caminho. Como?
Simplesmente fazendo como os países liberais o fazem: os órgãos de soberania são eleitos independentemente uns dos outros directamente pelo Povo - pelo menos, o órgão executivo e órgão legislativo. Paralelamente, o sistema judicial deveria possuir intervenção Popular; por exemplo, a culpabilidade (ou não) deveria ser definida pelo Povo (e não pelo Juiz) e a decisão de cada Tribunal devia fazer jurisprudência - ou seja, pelos Tribunais, o Povo passa a ter poder para corrigir os abusos do Estado e, simultaneamente, passa a ter poder legislativo.
Enquanto os deputados forem os boys do PM, ou este o boy dos deputados e dos interesses que por detrás de uns e outros se acantonam, nunca o Estado abrirá mão do seu Poder plenipotenciário - é demasiado bom, para dele se prescindir. Aliás, é com a maior descaramento que em todas as eleições os Partidos peçam a maioria absoluta - o objectivo é mesmo pedir um poder ainda mais ilimitado para si e para o Estado: quero, posso e mando, e, não sou responsabilizável.
É evidente que já sabemos o resultado disso: a Crise, a miséria e a auto-destruição de facto do País pela transformação por portugueses em serviçais dos interesses estrangeiros que compram Portugal.
Note-se que também não estou contra a que os estrangeiros comprem o que querem em Portugal. Isso até é bom. O que está errado é que o Estado português proteja os interesses estrangeiros, dando-lhes protecções que não dá aos portugueses - inclusive subsidiando-os e reduzindo-lhes os impostos a pagar. O estrangeiro que opere em Portugal como qualquer outra empresa portuguesa opera!
Bem..., e aqui é que está outro problema: é que há portugueses de 1ª e portugueses de 2ª. Os portugueses de 1ª possuem os mesmos direitos e protecções dos estrangeiros - uns e outros protegidos pelo Estado; os portugueses de 2ª é que não têm esse direitos, pelo contrário têm de suportá-los, quais direitos adquiridos por aqueles, com o seu suor-e-sangue. Será até de perguntar se esses portugueses de 1ª são de facto portugueses ou se, pelo contrário, não serão também estrangeiros «disfarçados» de portugueses.
Efectivamente, e apesar da manifestação de boa vontade do PM, o PM está a continuar rigorosamente o que os Governos anteriores começaram: fizeram dívidas e mais dívidas e, naturalmente, este pagá-as agora - independentemente do carácter odioso ou não dessa dívidas e através dos portugueses de 2ª, aqueles que pagam sempre tudo, já que os portugueses de 1ª são beneficiários líquidos do Estado (e não seus contribuintes líquidos).
O seu discurso é todavia uma esperança; mas, será? Afinal, cada Governo do passado foi sempre uma esperança!
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