Quando se procura avaliar o «desenvolvimento» - ou «atraso» - de um País, o que interessa não é propriamente o poder ou riqueza do respectivo Estado, mas sim o poder e a riqueza do seu Povo.
Ora, é precisamente quanto ao seu Povo que Portugal continua a ser um País «atrasado». De facto, o «desenvolvimento» que aconteceu após o 25 de Abril foi insignificante - não, porque não houve alguma «melhoria» nas qualidades do Povo português (competências e padrão de vida), mas porque o que aconteceu foi muito abaixo do que aconteceu no mesmo período em grande parte dos países do planeta. Ou seja, de facto Portugal regrediu nos últimos 30 anos - e, quando a Crise chegar ao fim (que «fim» será esse?), a careca estará totalmente destapada.
Todavia, o pós 25 de Abril foi o grito: agora é que é! Claro que não foi, mas porquê?
É, aliás, impressionante como os Fundadores do pós 25 de Abril (já que dos autores e das suas intenções e, até, da oportunidade do acontecimento, ainda há muito para contar) ainda não tenham tido a honestidade de pelo menos se perguntarem a si-mesmos (em público): «o que correu mal?», «aonde erramos?».
Sem dúvida, que o pós 25 de Abril foi uma oportunidade. Todavia, se reflectirmos com cuidado, veremos que essa oportunidade só aconteceu para «o Estado», essa oportunidade não aconteceu para os portugueses: para o Povo e a arraia-miúda (já que há políticos que distinguem o Povo da arraia-miúda).
O Estado, que de facto já não era pobre antes do 25 de Abril, ficou riquíssimo depois do 25 de Abril: dinheiro e património das nacionalizações, dinheiro e património da venda do que antes tinha sido nacionalizado e do que sempre tinha sido do sector público, dinheiro «a rodo» da União, dinheiro de impostos-e-taxas-e-multas a crescer, empréstimos a taxas de juro baixas num valor superior a 200% o PIB português, empréstimos escondidos na forma de PPP's no correspondente a quase metade PIB, etc.
Paralelamente, se se avaliar o rendimento dos portugueses depois dos impostos (de todos os impostos, e não apenas daqueles que «formalmente» são definidos como impostos) estou convicto que tal rendimento desceu em valor absoluto relativamente a 1973 (ante do 25 de Abril) e, em valor relativo - em comparação com o que se terá passado no resto da UE -, deverá ter havido uma regressão excepcionalmente elevada. Então, porque é que os portugueses não sentem isso?
Porque o Estado «tomou conta deles» - isto é, tirou-lhes rendimentos para lho devolver em serviços controlados pelo Estado, ou seja impediu que o crescimento dos seus rendimentos fossem transformados em aumento da sua capacidade-de-Liberdade e de auto-decisão sobre o seu próprio futuro e dos seus filhos -, e, simultaneamente, promoveu o seu endividamento. É por isso que, ainda não tendo o Estado começado a pagar a sua dívida soberana, a miséria já se abate sobre quase-todo o Povo e arraia-miúda portuguesas - é que «a devolução» aos portugueses dos rendimentos que lhes são retirados pelo Estado em impostos (e demais rendas que têm de pagar às empresas-protegidas) já não acontece na proporção que vinha acontecendo; simultaneamente, como os impostos ainda aumentaram mais, nem os empréstimos contraídos pelos portugueses conseguem agora ser pagos.
Não bastasse isso, como «quem mandava era o Estado», o País desenvolveu a economia que interessava ao Estado: ou seja, hoje Portugal possui uma economia que, em geral, não só não serve para nada como ainda vive de rendas que têm de ser pagas pelo Povo e pela arraia-miúda. Concluindo: empresas fecham todos os dias, o desemprego aumenta e a miséria é omnipresente, gerando agressividade e criminalidade.
Os Fundadores de «o Portugal pós 25 de Abril» foi isto que Fundaram.
De algum modo a culpa nem é deles - ainda que eles e as suas famílias tenham ganho muito com isso. Eles foram pessoas bem intencionadas - como aliás o foram Hitler, Salazar e Estaline ou Mao. Eles, assim como Hitler, Salazar e Estaline ou Mao, apenas acreditaram que tinham «a Verdade» e que tinham «a Moral». Acreditavam tanto nisso que, em todas as eleições, pediam a maioria absoluta, para poderem fazer o que queriam e lhes apetecesse: já que, afinal, o que lhes apetecia e queriam era «o Bem» do Povo.
Este é que foi «o problema», um problema que começou muito antes do 25 de Abril, que durou o tempo todo do salazarismo e continuou pós 25 de Abril. O «O problema» é que em Portugal só o «Estado pode» - em Portugal, não há cidadãos, aquilo que lhes corresponde noutros países são em Portugal «servidores do Estado-português». Aliás, o cidadão e a cidadania são tão mal compreendidos em Portugal, que cidadania é «servir o Estado», é ser bem-comportado, é obedecer cegamente à Lei, mesmo quando esta é de lesa-majestade ou os Tribunais são bloqueados para que não funcionem (há dinheiro para tudo, menos para que a Judiciária e os Tribunais funcionem).
Portugal, quer no Salazarismo como pós 25 De Abril, como a Alemanha de Hitler ou a URSS de Estaline ou a China de Mao, possuem em comum um Estado omnipresente e omnipotente. O resultado está à vista: o Povo está na miséria, o Estado-endividado a cavalo nesse Povo, o País destruído pelo próprio Estado.
A «imagem» do índice de prostituição de um País revela o estado de auto-destruição a que um Povo conduziu o seu próprio País. Hoje, nos filmes, a mulher russa é apresentada no papel de prostituta, no tempo da guerra de Espanha a ideia era que as espanholas eram as prostitutas. Quando à mulher portuguesa, ela tem sido apresentada como doméstica, criada; mas não tarda será apresentada como prostituta.
Foi a isso que os Fundadores conduziram este País e este «nobre» Povo.
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