terça-feira, 29 de maio de 2012

Diminuir salários para tornar a economia portuguesa competitiva (!?)

Diminuir salários para que a economia portuguesa se torne competitiva - poder exportar e pagar a dívida de «o Estado» - constitui um absurdo quando o salário médio em Portugal é já o mais baixo da Europa - metade do da Grécia -, com excepção do de alguns países da UE do leste europeu. Até a região de Xangai, na China, já possui salários médios idênticos aos de Portugal.

Uma tal «visão» é típica dos economistas, que, ao verem as coisas de «o alto», se esquecem que por detrás dos números há uma Realidade que conforma esses números - ou seja, os números não valem por si-mesmos.

Ora, olhando para Portugal, primeiro para os salários, o que vemos é que os salários médios da função pública são o dobro do salários da economia privada; a diferença será possivelmente ainda maior se dessa economia privada se retirar aquele economia privada que é protegida pelo Estado (contra os cidadãos) - dados da Prodata, dados gratuitos a que todos podem ter acesso (já que os dados estatísticos de «o Estado» estão indisponíveis uma vez que têm de ser comprados ao Estado). Paralelamente, se se levar em linha de conta que em Portugal ocorre uma das maiores diferenciações salariais da OCDE, então fácil é concluir que «diminuir salários para aumentar a competitividade da economia» - subentenda-se: da economia privada - constitui um absurdo.

Os salários que têm de ser diminuídos serão - porventura - os da função pública em geral e os dos quadros dirigentes em particular (em especial, o das empresas protegidas). É aí que os salários são absurdamente elevados - relativamente aos praticados no sociedade civil; em especial, tal deveria acontecer nas empresas protegidas, já que aqui nem há mercado e, simultaneamente, os salários são garantidos pelas Rendas concedidas pelo Estado à custa dos contribuintes líquidos, ou seja dos cidadãos «sem direitos adquiridos».

Aliás, as «privatizações» de sectores tecnicamente monopolistas e de outros que, não sendo tecnicamente monopolistas, foram entregues à gestão privada, acabaram por resultar simplesmente em aumentos de custos salariais exponenciais de um dia para o outro sem que a qualidade do serviço fosse minimamente melhorada. Paralelamente, os investimentos efectuados por essas entidades «privadas» continuaram a ser pagos pelo Estado, ainda por cima pagos muitas vezes acima daquilo que o próprio Estado pagaria se fossem feitos directamente por si-próprio.

É um tontice dizer que os salários tem de diminuir em Portugal para que a economia se torne competitiva. A Povo português já vive, em geral, na miséria - com salários médios muito abaixo dos padrões europeus, já tão baixos que se comparam aos praticados em economias sub-desenvolvidas.

O que se passa é que há uma distorção grave na estrutura económica - e social - que o Estado «criou» em Portugal após o 25 de Abril. Uns a viverem muitíssimo bem e, outros, a viverem na miséria porque têm de «alimentar» aqueles (através de Impostos elevadíssimos e de Preços protegidos). Foi para aqueles que vivem muitíssimo bem, que o Estado contraiu dívidas enormes que, agora, quer que sejam os já-miseráveis a pagar.

Em vez de se dizer que o Crescimento da economia portuguesas depende da prática de salários ainda mais baixos - para concorrer com a China e a Índia -, há que dizer que é preciso Libertar os portuguesas e a economia portuguesa dos encargos elevadíssimos que a economia «protegida» e, também, o Estado obrigam aqueles a pagar. São esses encargos - elevadíssimos - que tornam a economia portuguesa não competitiva; são ainda esses encargos elevadíssimos que impedem a economia portuguesa de arrancar, nomeadamente que a impedem de iniciar a necessária re-estruturação de «o existente», de aquilo que conduziu Portugal à Crise, daquilo de que Portugal tem de se livrar urgentemente.

É igualmente por isso, porque o que se exige é uma «limpeza», que é pouco admissível que os actuais políticos sejam capazes de o fazer. Por um lado, foram eles que conduziram o País a tal estado e, por outro lado, eles já se habituaram - constituindo já tradição - a considerar que «os que vivem muitíssimo bem», devem continuar a viver «muitíssimo bem» para poderem criar postos-de-trabalho aos miseráveis. Ou seja, quando dizem que o Crescimento exige diminuição salarial, é mesmo a diminuição salarial dos já-miseráveis a que eles se referem - e, quando dizem que é preciso ter moeda própria para a poderem desvalorizar, é ainda na diminuição (encoberta) dos salários dos já-miseráveis a que eles se referem.

Bem..., o que vem aí pode ser muito mau, muito mau mesmo. Os miseráveis não vão poder pagar a Dívida «deles», de tão grande que ela é - e que continua a aumentar segundo-a-segundo. O sistema político não permite mudar a «gente» que domina a Política em Portugal. Ou, os alemães pagam já «isto», ou vai haver por aqui um grande estoiro - e, não vão venham dizer que foi por «contágio» do estoiro grego; a «doença» já cá está e não se cura com a diminuição dos salários dos já-miseráveis.





sábado, 26 de maio de 2012

O único culpado da Crise é o Estado

A intervenção do Estado com vista à Solidariedade, Emprego e Crescimento - como se tem feito após 25 de Abril - tem vindo a aquecer permanentemente a economia portuguesa: isto é, tem lançado na economia, empresas e pessoas, excesso de liquidez. «Tudo» é pago muito acima dos preços que numa economia de mercado liberal (!) se pagaria - só assim o Pingo Doce pode ter lucros mesmo fazendo um desconto de 50% sobre todos os seus produtos. Aliás, «os 50%» do Pingo Doce são um bom exemplo do que se passa no mercado não-liberal que acontece em Portugal.

Também, a EDP acaba de «aceitar» - de facto, ela própria deve tê-lo proposto, para acalmar ânimos - uma redução de Rendas que, parecendo de montante excessivo, apenas afecta 1% das suas receitas e 2.5% dos seus lucros. Os donos das auto-estradas, de tantas Rendas que já têm, parecem estar mais preocupados que as viaturas  não as estraguem - o que exigiria despesas de manutenção - do que em assegurar mais clientes - bem..., agora também «aceitam» uma redução de Rendas. As empresas municipais, a primeira coisa que fizeram ao serem privatizadas, foi aumentarem (custos e) preços - Rendas - sem terem alterado o que quer que fosse na quantidade e qualidade da prestação de serviços.Etc.

Ou seja, quando o Estado monopoliza a riqueza nacional - retirada dos cidadãos através de impostos extorsionários  - transforma-se verdadeiramente  no único agente-económico nacional; tudo o que acontece no País é determinado pelo (e serve ao) Estado. Até as ONG's ou Agências de combate à fome, e IPSS ou, até, a Igreja, deixariam de existir se os subsídios do Estado deixassem de lhes chegar - aliás, muitas dessa instituições só foram criadas porque havia subsídios para distribuir.

Mas a intervenção do Estado não se fica por aqui. O Estado reserva mercado aos «Privados» - como já acontecia no tempo-de-Salazar -, o Estado «privatiza» as suas responsabilidades para depois pagar Rendas (sempre excessivas) àqueles que as passaram a realizar em seu nome, o Estado adjudica acima dos preços que um qualquer Privado alguma vez o faria, o Estado dá à gestão privada as suas próprias instituições aumentando assim de um dia-para-o outro os seus encargos, o Estado negoceia acções a realizar por entidades privadas contra Rendas (excessivas) a pagar por si ou pelos portugueses durante períodos «inimagináveis», ETC.

A Crise que Portugal hoje vive, mesmo naquilo que é da responsabilidade dos privados - empresa e pessoas -, é de facto uma Crise criada pelo Estado Português. Criada pelo Estado português, porque tal Estado comanda toda a economia: intervindo directamente, estimulando ou des-estimulando, excepcionando este ou aquele da Lei Geral, ou fazendo-lhe uma Lei à medida, etc. Como nas economias planificadas ou fascistas, o Estado é o único que ordena em Portugal - e, o resultado, também como sempre aconteceu naquelas economias, desembocou na Crise.

Tudo estava «rico», de um momento para o outro, com as Rendas do Estado - só, os portugueses não-subsidiados estavam pobres (pelo menos, tinham um «bom» emprego a salário-mínimo). Bem..., de facto também os credores estavam a ficar com o rabo-a-arder, sem disso se aperceberem. Afinal, alguém tinha de pagar o eldorado aonde o que valia 10 era pago pelo Estado como se valesse 100! Distribui-se o que se tinha e não tinha - e, a isso, chamou-se Solidariedade, Emprego e Crescimento.

Não foram os portugueses - ou mesmo as empresas - que viveram acima das suas possibilidades. Foi o Estado que viveu acima das suas possibilidades e «obrigou» os portugueses e empresas a viverem acima das suas possibilidades. O Estado «criou» uma Realidade fictícia - só possível, porque os credores olharam para «este» Estado como se fosse igual a um «Estado Europeu» e, só possível, porque as empresas acreditaram na Garantia Soberana de tal Estado e, só possível, porque os portugueses viveram «bons dias», qual «o dia» em que o seu clube-de-futebol ganha.

É evidente que se está perante um «problema de Estado» - isto é, como foi possível que um tal Estado tivesse surgido? Como o pós 25 de Abril pôde evoluir para tal «coisa»?
Mas, está-se também perante uma questão Ética - que tipos-de-pessoas são estas que conduziram o «seu» País e o «seu» próprio Povo para tal situação? Para mim, esta é a questão mais grave: que tipo-de-pessoas são essas?


«Secretas»

O problema das «Secretas», não É o problemas de «as Secretas» - seria bom que fosse, pois estar-se-ia perante um problema que se esgotaria em si-mesmo, porque se confinaria em si-mesmo.

O problema das Secretas é um problema relativo à segurança do Estado e do País, em si-mesmos, é um problema relativo à própria Soberania de Portugal, relativo até à sua própria Existência. Potencialmente, o problema das Secretas vem colocar a possibilidade de forças «inimigas» a Portugal - e aos portugueses, enquanto «um Povo» - tomarem conta do seu Estado e, deste modo, do País sem que estes se apercebam. O problema das Secretas é a possibilidade da confirmação de «o bom general» de Sun Tzé: o melhor general é aquele que conquista um País se disparar um tiro.

Em geral, quando os Estados são «excessivamente» concentradores e monopolizadores, o risco das Secretas assumirem um papel dominante na condução de tais Estados é elevadíssimo. Pior ainda quando há um ponto-de-comando bem definido - e, incontestável e incontrolável; neste caso, torna-se sempre possível uma operação de tomada-de-poder dirigida «contra» tal ponto-de-controlo. Mesmo o controlo de um Primeiro-Ministro ou de um Presidente, ou de um ou mais partidos-de-Poder, não é tão eficaz como controlar «as Secretas» - já que estas, porque são secretas, estão longe do olhar-do-público, estão longe do escrutínio público, e até, das outras forças de Segurança.

O problema das Secretas, não é pois o problema das Secretas; é um problema de Soberania Nacional.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"A austeridade é a mais, é preciso crescimento"

Não há dúvida que Portugal ainda não começou a pagar as suas dívidas - por isso, ela continua a aumentar dia após dia - e já possui o seu Povo na penúria e o seu património na mão de estrangeiros. Ou seja, «basta de austeridade, é preciso crescimento».

Todavia, esta conclusão é óbvia. É tão óbvia, que foi o «crescimento» que colocou o País e o Povo português na actual situação; é tão óbvia, que até há quem diga que o actual «modelo de desenvolvente»  está esgotado.
A questão não está pois em repetir o «o óbvio». Pelo contrário, é preciso dissecar o óbvio, para que não se repita - como se tal fosse possível! - o que obviamente caiu sobre o País e os portugueses.

Ora, e dissecando o «o óbvio», a primeira coisa a reparar é que tal não constituiu propriamente um «modelo de desenvolvimento» - o seguido pelos Governos pós 25 de Abril. Nunca em sítio algum, nem no plano político nem no económico, se apresentou um «modelo de desenvolvimento» cuja matriz é o «roubo» dos Rendimentos de um Povo - «isso» não constitui um «modelo de desenvolvimento». Ou seja, Portugal nunca teve «em facto» um «modelo de desenvolvimento»; portanto, não digam que o actual modelo-de-desenvolvimento está esgotado, há não ser que queiram dizer que já não há mais nada para roubar. Bem..., e os processos judiciais em curso, e outros que nem judiciais se tornaram, envolvendo sempre as elites políticas, mostram o quanto a matriz política do País foi o «Roubo», pura e simplesmente o Roubo, ainda que parte dele «legalizado» - afinal, «o Modelo».

Ainda dissecando o «o óbvio», de que crescimento estão a falar aqueles que dele falam? Se não há dinheiro, nem para pagar as dívidas que se vencem, aonde pensam eles ir-buscar o crescimento?

Pelo discurso, parece que pensam ir buscá-lo à Alemanha. Afinal, «o rico tem obrigações para com o pobre», nem que seja quando tal pobre ficou pobre porque os seus próprios irmãos se encarregaram de o espoliar!
Ainda pelo discurso, parece que acham que o ainda existente «modelo de crescimento»  não está esgotado - afinal, agora há que pagar dívidas e fazer-crescer, e, «isto» é também um bom negócio, especialmente se há alguém (e só pode ser a Alemanha) que caia na esparrela de enfiar dinheiro nisso.

Bem..., parece que é óbvio que a negociata «quer continuar». E, se antes ela foi feita para «salvar o povo e o trabalhinho do povo», agora ela também é feita para «salvar o povo e o trabalhinho do povo».  Basta de austeridade - claro, a do povo, porque a «deles» não existe.
E, não existe, tanto que  as PPP's não foram mexidas até agora; e, agora, as que estão a ser mexidas são-no com o beneplácito dos próprios Privados - «o beneplácito», que o Ministro da Economia quer camuflar como se tratasse de um imposto por ele imposto a tais PPP's, ainda que o próprio Tribunal de Contas afirme que tais PPP´s são bandidagem «legalizada». Aliás, a favor das PPP's, um Secretário de Estado foi posto na rua e outro foi corrigido.

O «modelo de desenvolvimento» não está afinal esgotado: «Basta de austeridade, é preciso crescimento» - é a forma «actualizada» desse modelo. Aqueles que levaram o País à ruína, são agora aqueles que se propõem tirar o País da ruína - acreditam?




quarta-feira, 23 de maio de 2012

A ordem dos fatores
Olavo de Carvalho
(publicado no Brasil) em Diário do Comércio, 21 de maio de 2012
 

No estudo admirável que publicou em 1994 sob o título The Soviet Tragedy, Martin Malia pergunta por que os sovietólogos ocidentais, tão prestigiosos, tão bem pagos, tão dotados de amplos meios de investigação, não atinaram nem por um momento com a queda iminente da URSS, e ao contrário continuaram prevendo, até a véspera do desenlace, uma nova era de progresso espetacular para o gigante de pés de barro.
O caso mais patético foi o de Paul Kennedy, historiador da Yale University, cujo livro Ascensão e Queda das Grandes Potências, anunciando para breve a queda dos EUA e a ascensão da URSS como potência dominante, virou um best-seller mundial, foi traduzido em 23 idiomas e celebrado como o nec plus ultra em matéria de análise estratégica. Isso foi em 1987: três anos antes que o curso das coisas o desmentisse fragorosamente, provando, pela milésima vez, que o aplauso universal da mídia reflete apenas o entusiasmo da uma multidão de cegos tagarelas pelos cegos ainda mais tagarelas que os guiam.
Em contraste, assinala Malia, os dissidentes internos, Bukovski, Soljenítsin, Zinoviev e tantos outros, nunca cessaram de insistir que o comunismo era irreformável, que sua autodestruição era apenas questão de tempo, mas eram recebidos com ceticismo no ambiente acadêmico ocidental, que os via como sonhadores incapazes de atinar com o poder de auto-renovação do regime soviético.
Pior ainda, os desertores da KGB e do serviço militar soviético, que traziam inside information da melhor qualidade, anunciando que o sistema estava consciente de ter de desmantelar-se até mesmo para salvar o que restasse do movimento comunista mundial, foram desprezados como “teóricos da conspiração” pelos serviços de inteligência ocidentais, isto é, pelos mais autorizados sovietólogos do mundo, porque os diagnósticos que ofereciam vinham só dos altos círculos governantes, sem levar em conta – alegava-se – as realidades sociais e econômicas do regime. O mais brilhante desses desertores, Anatolyi Golytsin, cujas previsões acabariam depois se revelando acertadas em pelo menos 94 por cento, foi o mais criticado e ridicularizado pelos bem-pensantes.
Martin Malia pergunta-se como foi possível que erros tão colossais se tornassem verdades indiscutíveis para toda uma elite acadêmica espalhada pelas maiores universidades, institutos de pesquisa, think tanks e serviços da inteligência da Europa e dos EUA, praticamente sem uma única voz discordante.
Ele poderia ter respondido, genericamente, que a principal tarefa do consenso acadêmico há duzentos anos tem sido precisamente a de impor a autoridade do erro como padrão supremo de racionalidade em todos os campos do conhecimento humano, e acabar sendo sempre desmentido por um ou dois gênios isolados, teimosos e mal subsidiados.
Mas ele preferiu dar uma ilustração mais detalhada dessa resposta.
Os estudos sovietológicos no Ocidente, no seu empenho de tornar-se cientificamente respeitáveis, seguiram em linhas gerais as duas tradições mais badaladas no campo da sociologia histórica, o positivismo e o marxismo. Segundo essas duas escolas, o rumo das coisas na esfera político-ideológica é, ao menos a longo prazo, determinado por fatores mais básicos de ordem econômico-social.
Esse princípio servia portanto, uniformemente, para analisar tanto as sociedades ocidentais como a soviética. Dele os sovietólogos concluíam que o “potencial de crescimento” da sociedade soviética terminaria por prevalecer sobre a rigidez ideológica da elite governante, forçando-a modernizar o regime para liberar, como diria Marx, as “forças produtivas”.
Nesse diagnóstico, diz Malia, não contavam com dois fatores: a força avassaladora da elite revolucionária, que ao longo de seis décadas diluíra e remoldara a seu belprazer uma sociedade passiva e inerme, e a rigidez imutável das instituições de controle governamental criadas por essa mesma elite, capazes, no máximo, de variar a dose de violência repressiva que aplicavam a cada momento, porém jamais de reformar-se de alto a baixo. Na URSS, em suma, não vigorava a hierarquia marxista de uma “infra-estrutura” econômico-social a determinar os rumos da “superestrutura” ideológica e política. A superestrutura havia se fortalecido e enrijecido a tal ponto, que já não podia refletir as mudanças da infra-estrutura: o regime soviético só podia eternizar-se, estrangulando a sociedade, ou suicidar-se para deixar a sociedade viver. O plano reformista de Gorbachov fracassou e o governo soviético foi repentinamente suicidado por um bêbado corajoso. Quod erat demonstrandum.
Ao consentir em usar as categorias de infra-estrutura e superestrutura como instrumentos essenciais de análise do fenômeno soviético, os sovietólogos ocidentais mostraram ter-se deixado hipnotizar pelos esquemas mentais do inimigo, tentando apenas usá-los com signo político invertido. Isso nunca funciona.
Os dissidentes, ao contrário, jogaram o marxismo fora junto com a discurseira oficial do Kremlin, e buscaram categorias de pensamento radicalmente novas, inspiradas em parte na filosofia da religião, em parte na lógica matemática, em na própria tradição literária russa, chegando a desvendar os mais íntimos segredos do sistema soviético ao ponto de diagnosticar com clareza o seu estado terminal.
Nossos liberais e conservadores teriam algo a aprender com essa lição, mas quem pode com gente de casca grossa e miolo mole? Metade deles acredita que a economia move o mundo (como se hoje em dia não fosse ela o mais volátil dos fatores), a outra metade imagina que o melhor que tem a fazer é macaquear o programa cultural da esquerda.

terça-feira, 8 de maio de 2012

A ENERGIA ELÉCTRICA

A TVI fez, ontem, uma interessante reportagem sobre a ENERGIA ELÉCTRICA em Portugal. Vale a pena ver - deve estar disponível na Internet.

A única observação - complemento - que gostaria de fazer, é chamar a atenção que «o Capitalista», e o Capitalismo, não têm culpa de nada - como a esquerda gosta de ver as coisas, ilibando deste modo o Estado. Aliás, nisto está o grande Erro de Karl Marx.
Os «interesses» das empresas de electricidade só foram capazes de ser o que são e de se manifestar como se manifestaram, porque os políticos portugueses (o Estado) é que são, e continuam a ser, os verdadeiros interessados nesses «interesses». Não é por acaso que aqui, como noutras coisas, o monopólio, os preços fixados, as restrições de mercado e, como se não bastasse, o pagamento do Investimento realizado, é suportado pelos miseráveis dos portugueses - com o comentário douto da esquerda e da direita, que é para BEM desses miseráveis. Ainda por cima, chamam a este tipo de mercado de liberal!? - e, ao outro, que não lhes defende os «interesses», de ultra-liberal.

Bem... se não houvesse Crise, ainda vá que não vá. Só que tais elites foram muito longe, na incompetência e na roubalheira - de esquerda e de direita. Agora, só levar esses senhores a Tribunal Internacional - que, por cá, não há tribunais. Bem..., é a Democracia do pós-25 de Abril, aquela que gerou a Constituição «mais avançada do mundo» - estamos a ver os resultados.

Uma coisa é certa: não vamos poder pagar a Dívida que os «interesses» dos políticos criaram - a não ser que se mate uns bons milhares de idosos de um dia para o outro (o que não parece estar posto de parte). O único problema é que temos de justificar porque não o fazemos. E, a única justificação, é fundamentar-se que tal dívida é odiosa (como a do Iraque, ou a de qualquer país governado por máfias). Ou seja, os políticos têm de ser colocados em Tribunal Internacional e a Constituição - que permitiu isso - tem de ser considerada ERRADA.




Viva o Pingo Doce

O que o Pingo Doce acabou por fazer, ao dar um desconto de 50%, foi como-que devolver aos portugueses aquilo que o Estado lhes tinha tirado no subsídio de férias e de Natal.
Mas, o Pingo Doce, fazer isso, nem me admira - trata-se de uma política comercial, ou mesmo de solidariedade social - nem interessa -, cujos efeitos positivos ou negativos são sofridos pelo Pingo Doce. Eu agradeço - e, em co-solidariedade, vou passar a ir mais vezes ao Pingo Doce.
O que me admirou - e, de facto, nem tal deveria ter acontecido - foi como a elite portuguesa, elite política e cultural, se manifestou. O que se passará neste País se as pessoas e instituições civis passam a ter iniciativas fora do Estado, inclusive das instituições PPP's - como são os sindicatos e outras do género (IPSS, etc,, até a Igreja subsidiada pelo Estado)? Será um horror! É uma revolução - como nem o 25 de Abril foi! Foi assim que a elite se manifestou.
Afinal, nada de admirável. Não foi por acaso que foi esta elite que destruiu o País. E, não é por acaso que nem consegue pedir desculpa aos portugueses pelo que lhe fizeram.
Sejamos francos, o País continua governado por Fascistas - de esquerda ou de direita, tanto faz. O Estado é o seu trono; não: há sociedade civil. Enfie-se-lhe a ASEA - a nova polícia política - em cima.