Miguel Sousa Tavares e as energias alternativas
A Energia e, em particular, as energias alternativas andam na «berra» de tão mal faladas como têm sido. Depois do eldorado (dos subsídios a fundo-perdido) em que todos falavam bem delas, seguiu-se um período em que se descobriu que o «rei ia nu».
Eis, que no último Expresso, Miguel Sousa Tavares vem defender as energias alternativas - e a estratégia energética de Sócrates. Como defesa apresenta as políticas de alguns países, como a França, aonde está a ser feita uma drástica diminuição do Nuclear.
É evidente que toda a gente quer energias não poluentes e seguras. Se é esta a questão, então viva a estratégia «de Sócrates» - se é que é dele!
Mas, a questão não é assim tão simples. Tenho um familiar na Noruega; neste país ligam-se os aquecedores - neste caso eléctricos - no início do Outono e desligam-se em meados da Primavera (umas vezes mais cedo, outras mais tarde); durante esse período trabalham continuamente - se tal deixa de acontecer, a habitação torna-se inabitável durante os dois a três dias necessários para voltar a aquecê-la. Ora, durante este período, este familiar gasta, mensalmente, metade do que eu gasto em Portugal com sistema tri-horário, com preocupação em deslocar o maior consumo para horas vazias, só usando ar condicionado muito pontualmente (o que significa cerca de uma a três horas diária no Inverno), etc.
Parece um absurdo, não é?
Pois é! Parece, mas não é.
As energias alternativas, eólica e solar, são caríssimas quando comparadas com o custo médio das energias tradicionais. Por isso, só um louco, ou quem despreza o seu Povo «pagador», poderia querer sustentar a estratégia energética nacional em energias alternativas.
Paralelamente, o mesmo Governo resolveu des-responsabilizar as empresas dos Riscos de Investimento: oferecendo ricas Rendas pelas capacidades instaladas, quer fossem utilizadas ou não (como nas auto-estradas). Isso, associado ao crédito fácil - garantido pelo Estado -, foi ver as potências instaladas a subir por todo o País (sem necessidade real) e o custo dos investimentos a subir (o que poderia ser construído por 100 se o investimento fosse privado, passou a ser construído por 100+? porque quem pagava era o Estado). Resultado: só sobrevivemos, porque não temos um País frio - todavia, só sobrevivemos mesmo, já que a larga maioria da população não consegue ter acesso a mais do que um miserável aquecimento no Inverno. De facto, passo mais frio em Portugal que na Noruega.
Não se pode olhar para as energias alternativas - conceito que é diferente de energia renovável, que inclui também a energia hidroeléctrica -, sem ter em atenção o seu custo. Se a austeridade é um remédio tão forte que pode matar o doente, o mesmo se passa com as energias alternativas: são tão caras que não se podem utilizar (ou só os ricos o podem fazer - o que parece não ser grande problema na estratégia Socrática).
quarta-feira, 20 de junho de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
É um prazer ouvir pessoas inteligentes
Na RTP1, no programa de Maria Elisa desta 2º feira, pôde ouvir-se António Borges, Victor Bento e António Vitorino - pessoas inteligentes, dando a sua opinião sobre o País.
O que mais me admirou desse debate, se é que de debate se tratou, é que António Borges, que parece conhecer a situação melhor que alguém, afirmou que a economia portuguesa está mesmo a reestruturar-se para melhor, e mais rapidamente do que se esperava. Isso é muito bom; sinceramente, que não esperava. Mas, infelizmente, ele não apresentou números. Pelo que afirmou, parece «basear-se» na interpretação das «baixas» taxas de juro dos empréstimos obtidos pelo País nos últimos tempos, no interesse dos estrangeiros em comprar as empresas públicas, ou o que resta delas, e no aumento das exportações e diminuição das importações. Parece-me muitíssimo pouco - muitíssimo pouco mesmo, para poder concluir que as medidas estão a resultar.
Se, afinal, pouco coisa ou nada se fez que não fosse restringir a despesa do Estado - por falta de dinheiro (o dos impostos e porque o mercado não empresta ou só empresta a juros elevados), consequentemente empurrando a economia por inerência intrínseca a essa falta de dinheiro (de cujo resultado são as falências e o aumento das exportações) -, como as coisas estão a «ir bem»? Ou seja, aquilo que, de estrutural, deveria estar a acontecer, que como é evidente deveria estar a acontecer no Estado e no seu aparelho, não aparece naquilo que António Borges apontou como sinal de que as coisas correm bem e depressa. É evidente que a economia está a reagir, e a sociedade civil também - mas, isso não podia deixar de acontecer face à austeridade a que o Estado foi submetido por falta de dinheiro (e, não por ter «outra« Vontade); quem não reage (para além de não poder pagar por falta de dinheiro) é o Estado, nem está a fazer o esforço necessário nesse sentido. As causas estruturais e culturais que conduziram à Crise preservam-se: haja dinheiro, e o Estado volta ao mesmo.
A este respeito é interessante a intervenção de Cintra na entrega do Prémio Pessoa. Em síntese, ele diz que a Cultura - a Criação - precisa de subsídios a fundo perdido.
Imaginemos Cintra, na rua, a dirigir-se a alguém: psiu, psiu, o Sr. não se importa de me dar dinheiro a fundo perdido, para eu poder Criar uma peça de teatro? É fácil imaginar a resposta: vai trabalhar homem, que eu também trabalho, ou: "se vai fazer uma peça, deverá poder recuperar o investimento nos bilhetes; porque está a pedir dinheiro a fundo perdido?". Réplica de Cintra: "é que a minha peça não interessa a muito gente, é que essa gente não tem cultura, o investimento não é recuperável". Aí, o potencial dador abre a boca de espanto: "eu tenho de trabalhar a contento da sociedade que compra o meu trabalho, mesmo que essa sociedade seja sem cultura; só assim ganho a minha vida, e você pede-me o meu dinheiro, ganho com o meu trabalho, frequentemente de forma penosa e monótona, ainda por cima a fundo perdido. Como tem coragem? Como tem coragem de me pedir dinheiro nas condições em que quer?
De facto, como tem coragem? Como alguém tem coragem de pedir a outra pessoa, que trabalha frequentemente de forma penosa, para lhe dar dinheiro a fundo perdido?
Bem..., isso é imaginação: e má imaginação. O que se passa é o seguinte: o Estado substitui-se a Cintra - faz uma Lei a obrigar, aquele potencial dador, a entrega-lhe o seu dinheiro, ganho a fazer trabalho socialmente-útil (aliás, a entregar muito mais do que aquele que seria necessário a Cintra) e manda a «polícia», para que não haja dúvidas quanto a tal obrigatoriedade. Seguidamente, o Estado dá esse dinheiro, a fundo perdido, a Cintra - que, ainda chateado, acha que é muito pouco para o desenvolvimento da Cultura Portuguesa.
Foram estas pessoas, e, naturalmente, as empresas e, ainda naturalmente, todos os que puderam (ONG´s, IPSS´s, Igreja, etc.) a correr ao Estado a pedir a fundo-perdido - afinal, é muito mais fácil que convencer as pessoas que, sendo a sua actividade é útil (bastaria isso, nem precisaria de ser utilíssima), estas lhes podiam confiar o seu dinheiro (ou, comprar os seus utilíssimos serviços). O Estado que temos é esse Estado, as elites que temos são essas: a «polícia» cobra, eles não precisam de convencer «quem paga» - ora, esse Estado está intacto, nem em reestruturação está; como diz António Borges que as coisas estão a mudar?
Não é por acaso que tivemos Salazar: o Estado está aí para intermediar as relações entra as elites-subsidiadas e os que pagam. Nesse tempo, Cintra não estava no seio das elites-subsidiadas - mas, o sistema é o mesmo: só muda quem compõe as elites-subsidiadas.
Para já não falar do Estado (que não mudou, como inclusive acho que António Borges gostaria que mudasse), enquanto as pessoas não tiverem VERGONHA de pedir a fundo-perdido, nada mudará!
Na RTP1, no programa de Maria Elisa desta 2º feira, pôde ouvir-se António Borges, Victor Bento e António Vitorino - pessoas inteligentes, dando a sua opinião sobre o País.
O que mais me admirou desse debate, se é que de debate se tratou, é que António Borges, que parece conhecer a situação melhor que alguém, afirmou que a economia portuguesa está mesmo a reestruturar-se para melhor, e mais rapidamente do que se esperava. Isso é muito bom; sinceramente, que não esperava. Mas, infelizmente, ele não apresentou números. Pelo que afirmou, parece «basear-se» na interpretação das «baixas» taxas de juro dos empréstimos obtidos pelo País nos últimos tempos, no interesse dos estrangeiros em comprar as empresas públicas, ou o que resta delas, e no aumento das exportações e diminuição das importações. Parece-me muitíssimo pouco - muitíssimo pouco mesmo, para poder concluir que as medidas estão a resultar.
Se, afinal, pouco coisa ou nada se fez que não fosse restringir a despesa do Estado - por falta de dinheiro (o dos impostos e porque o mercado não empresta ou só empresta a juros elevados), consequentemente empurrando a economia por inerência intrínseca a essa falta de dinheiro (de cujo resultado são as falências e o aumento das exportações) -, como as coisas estão a «ir bem»? Ou seja, aquilo que, de estrutural, deveria estar a acontecer, que como é evidente deveria estar a acontecer no Estado e no seu aparelho, não aparece naquilo que António Borges apontou como sinal de que as coisas correm bem e depressa. É evidente que a economia está a reagir, e a sociedade civil também - mas, isso não podia deixar de acontecer face à austeridade a que o Estado foi submetido por falta de dinheiro (e, não por ter «outra« Vontade); quem não reage (para além de não poder pagar por falta de dinheiro) é o Estado, nem está a fazer o esforço necessário nesse sentido. As causas estruturais e culturais que conduziram à Crise preservam-se: haja dinheiro, e o Estado volta ao mesmo.
A este respeito é interessante a intervenção de Cintra na entrega do Prémio Pessoa. Em síntese, ele diz que a Cultura - a Criação - precisa de subsídios a fundo perdido.
Imaginemos Cintra, na rua, a dirigir-se a alguém: psiu, psiu, o Sr. não se importa de me dar dinheiro a fundo perdido, para eu poder Criar uma peça de teatro? É fácil imaginar a resposta: vai trabalhar homem, que eu também trabalho, ou: "se vai fazer uma peça, deverá poder recuperar o investimento nos bilhetes; porque está a pedir dinheiro a fundo perdido?". Réplica de Cintra: "é que a minha peça não interessa a muito gente, é que essa gente não tem cultura, o investimento não é recuperável". Aí, o potencial dador abre a boca de espanto: "eu tenho de trabalhar a contento da sociedade que compra o meu trabalho, mesmo que essa sociedade seja sem cultura; só assim ganho a minha vida, e você pede-me o meu dinheiro, ganho com o meu trabalho, frequentemente de forma penosa e monótona, ainda por cima a fundo perdido. Como tem coragem? Como tem coragem de me pedir dinheiro nas condições em que quer?
De facto, como tem coragem? Como alguém tem coragem de pedir a outra pessoa, que trabalha frequentemente de forma penosa, para lhe dar dinheiro a fundo perdido?
Bem..., isso é imaginação: e má imaginação. O que se passa é o seguinte: o Estado substitui-se a Cintra - faz uma Lei a obrigar, aquele potencial dador, a entrega-lhe o seu dinheiro, ganho a fazer trabalho socialmente-útil (aliás, a entregar muito mais do que aquele que seria necessário a Cintra) e manda a «polícia», para que não haja dúvidas quanto a tal obrigatoriedade. Seguidamente, o Estado dá esse dinheiro, a fundo perdido, a Cintra - que, ainda chateado, acha que é muito pouco para o desenvolvimento da Cultura Portuguesa.
Foram estas pessoas, e, naturalmente, as empresas e, ainda naturalmente, todos os que puderam (ONG´s, IPSS´s, Igreja, etc.) a correr ao Estado a pedir a fundo-perdido - afinal, é muito mais fácil que convencer as pessoas que, sendo a sua actividade é útil (bastaria isso, nem precisaria de ser utilíssima), estas lhes podiam confiar o seu dinheiro (ou, comprar os seus utilíssimos serviços). O Estado que temos é esse Estado, as elites que temos são essas: a «polícia» cobra, eles não precisam de convencer «quem paga» - ora, esse Estado está intacto, nem em reestruturação está; como diz António Borges que as coisas estão a mudar?
Não é por acaso que tivemos Salazar: o Estado está aí para intermediar as relações entra as elites-subsidiadas e os que pagam. Nesse tempo, Cintra não estava no seio das elites-subsidiadas - mas, o sistema é o mesmo: só muda quem compõe as elites-subsidiadas.
Para já não falar do Estado (que não mudou, como inclusive acho que António Borges gostaria que mudasse), enquanto as pessoas não tiverem VERGONHA de pedir a fundo-perdido, nada mudará!
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Já não corremos o risco do precipício (!?)
Segundo o Primeiro-Ministro, e conforme os bons resultados no cumprimento do programa «Troika», estamos já afastados do precipício.
Bem..., eu não gostaria de ver este Primeiro-Ministro fazer o mesmo que o Sr. Sócrates: animar o Povo na perspectiva que assim a vidinha vai correr bem. Mas...
Como é possível que a situação esteja hoje melhor que ontem?
1º - A dívida aumentou, em vez de diminuir.
2º - O Orçamento está a ser equilibrado pelo lado da Receita - apesar do esforço, nitidamente insuficiente, de redução da Despesa. Ou seja, continua o esmagamento da sociedade, impedindo-a de reagir à Crise - aliás, o esmagamento é tal, que a sociedade civil nada mais pode fazer que sobreviver ou «fugir».
3º - A economia só reagiu «fechando portas» - o que já é um saneamento das Inutilidades que por aí existiam. Todavia, muitas mais há para «fechar portas».
4º - As PPP's pouco ou nada não foram mexidas; aliás, a própria Troika diz que o que foi feito na energia foi pouco ambicioso.
5º - A subsidio-dependência continua na mesma. Ou seja, não foi feito esforço algum para que aquilo que hoje vive do Estado (do dinheiro dos contribuintes) se tivesse de libertar deste - nomeadamente, na Cultura, na assistência e solidariedade social, nos Institutos que por aí proliferam, nas ONG's - que de NG's só têm o nome -, etc.
6º - Tudo o que se fez no campo da fiscalidade, foi afugentar o investimento nacional e estrangeiro.
7º - Nada se fez na burocracia pública; e, os Tribunais continuam como «antes» -aliás, piores: já que o política tem sido desentupir os Tribunais transferindo para tribunaizinhos aquilo que antes era do domínio da Justiça (só devem estar a brincar, por este andar é melhor pensar numa estrutura alternativa aos Tribunais, para que Justiça seja feita, e, mandar fechar «estes» e reformar o pessoal).
Etc.
Ou seja, nada se fez de concreto - que, por um lado, diminuísse efectivamente a Despesa do Estado (diminuísse o peso que a sociedade tem de suportar com este Estado) e que, por outro lado, favorecesse a re-estruturação social-e-económica do País face ao modelo predador e subsídio-dependente do Estado face à sociedade, modelo que conduziu à actual Crise.
Então, porque está o Primeiro-Ministro contente? Porque foi bom-aluno; já não é mau sê-lo. Todavia, a preocupação da Troika não é propriamente resolver a situação do País, ainda que isso a preocupe.
A preocupação da Troika é «salvar» os credores - e, como consequência secundária, têm de nos aguentar o suficiente-e-necessário para que lhes paguemos. Nisso, estamos a ser bons alunos - o Povo que o diga; até as PPP´s andam contentes, afinal eles também são credores, os «credores» pelos quais a Troika está cá. Aliás, somos tão bons alunos - para com os credores - que até a Troika acha que deveríamos tratar os «credores» PPP's com um pouco mais de preocupação em defender os interesses de Portugal.
Ora, o «nosso» problema não é esse - pelo menos, não o é inteiramente. O nosso problema é que temos uma sociedade distorcida, profundamente distorcida e doente. A Crise de «a Dívida» foi apenas um sintoma - não se devendo tomar o sintoma pela doença.
Ou seja, nada se fez para atacar a doença - o que se fez foi para atacar a dor-de-cabeça dos credores, como se estes, já sem dores-de-cabeça, se viessem a tornar a meter na «mesma»: emprestar dinheiro ao Estado português em 2013 ou 2014 ou 2015.
É interessante recordar que já há anos que Medina Carreira dizia que, mesmo encarando o «para aonde Portugal se estava a encaminhar dia-após-dia pela acção irresponsável do Estado», não haveria Vontade política para corrigir as coisas; era necessário que o FMI aterrasse em Lisboa. Bem..., aterrou a troika; mas, aterrou para defender os credores contra este Estado, não aterrou para defender os portugueses deste Estado - «nisso», Medina Carreira enganou-se, o Povo Português não tem Procurador.
É, pois, muito provável que se continue a cumprir muito bem o pagamento às «PPP´s» - e, disso, se vangloria, como bom aluno que é este Estado; aliás, como sempre o foi: criou Dívida a contento de «as PPP´s» e, agora, paga-a rigorosamente. Até a troika se admira - é, de facto, um Excelente aluno.
Segundo o Primeiro-Ministro, e conforme os bons resultados no cumprimento do programa «Troika», estamos já afastados do precipício.
Bem..., eu não gostaria de ver este Primeiro-Ministro fazer o mesmo que o Sr. Sócrates: animar o Povo na perspectiva que assim a vidinha vai correr bem. Mas...
Como é possível que a situação esteja hoje melhor que ontem?
1º - A dívida aumentou, em vez de diminuir.
2º - O Orçamento está a ser equilibrado pelo lado da Receita - apesar do esforço, nitidamente insuficiente, de redução da Despesa. Ou seja, continua o esmagamento da sociedade, impedindo-a de reagir à Crise - aliás, o esmagamento é tal, que a sociedade civil nada mais pode fazer que sobreviver ou «fugir».
3º - A economia só reagiu «fechando portas» - o que já é um saneamento das Inutilidades que por aí existiam. Todavia, muitas mais há para «fechar portas».
4º - As PPP's pouco ou nada não foram mexidas; aliás, a própria Troika diz que o que foi feito na energia foi pouco ambicioso.
5º - A subsidio-dependência continua na mesma. Ou seja, não foi feito esforço algum para que aquilo que hoje vive do Estado (do dinheiro dos contribuintes) se tivesse de libertar deste - nomeadamente, na Cultura, na assistência e solidariedade social, nos Institutos que por aí proliferam, nas ONG's - que de NG's só têm o nome -, etc.
6º - Tudo o que se fez no campo da fiscalidade, foi afugentar o investimento nacional e estrangeiro.
7º - Nada se fez na burocracia pública; e, os Tribunais continuam como «antes» -aliás, piores: já que o política tem sido desentupir os Tribunais transferindo para tribunaizinhos aquilo que antes era do domínio da Justiça (só devem estar a brincar, por este andar é melhor pensar numa estrutura alternativa aos Tribunais, para que Justiça seja feita, e, mandar fechar «estes» e reformar o pessoal).
Etc.
Ou seja, nada se fez de concreto - que, por um lado, diminuísse efectivamente a Despesa do Estado (diminuísse o peso que a sociedade tem de suportar com este Estado) e que, por outro lado, favorecesse a re-estruturação social-e-económica do País face ao modelo predador e subsídio-dependente do Estado face à sociedade, modelo que conduziu à actual Crise.
Então, porque está o Primeiro-Ministro contente? Porque foi bom-aluno; já não é mau sê-lo. Todavia, a preocupação da Troika não é propriamente resolver a situação do País, ainda que isso a preocupe.
A preocupação da Troika é «salvar» os credores - e, como consequência secundária, têm de nos aguentar o suficiente-e-necessário para que lhes paguemos. Nisso, estamos a ser bons alunos - o Povo que o diga; até as PPP´s andam contentes, afinal eles também são credores, os «credores» pelos quais a Troika está cá. Aliás, somos tão bons alunos - para com os credores - que até a Troika acha que deveríamos tratar os «credores» PPP's com um pouco mais de preocupação em defender os interesses de Portugal.
Ora, o «nosso» problema não é esse - pelo menos, não o é inteiramente. O nosso problema é que temos uma sociedade distorcida, profundamente distorcida e doente. A Crise de «a Dívida» foi apenas um sintoma - não se devendo tomar o sintoma pela doença.
Ou seja, nada se fez para atacar a doença - o que se fez foi para atacar a dor-de-cabeça dos credores, como se estes, já sem dores-de-cabeça, se viessem a tornar a meter na «mesma»: emprestar dinheiro ao Estado português em 2013 ou 2014 ou 2015.
É interessante recordar que já há anos que Medina Carreira dizia que, mesmo encarando o «para aonde Portugal se estava a encaminhar dia-após-dia pela acção irresponsável do Estado», não haveria Vontade política para corrigir as coisas; era necessário que o FMI aterrasse em Lisboa. Bem..., aterrou a troika; mas, aterrou para defender os credores contra este Estado, não aterrou para defender os portugueses deste Estado - «nisso», Medina Carreira enganou-se, o Povo Português não tem Procurador.
É, pois, muito provável que se continue a cumprir muito bem o pagamento às «PPP´s» - e, disso, se vangloria, como bom aluno que é este Estado; aliás, como sempre o foi: criou Dívida a contento de «as PPP´s» e, agora, paga-a rigorosamente. Até a troika se admira - é, de facto, um Excelente aluno.
domingo, 3 de junho de 2012
Uma Nova Ordem Económica Mundial está a chegar
Poucos terão anotado que ainda há poucos dias a China e o Japão acordaram entre si deixar de usar o dólar como moeda de comércio entre os dois países. Foi este acto «singelo» que deu início a uma Nova Ordem Económica Mundial.
Eu já o estava à espera - não sabia aonde iria começar, de que forma, nem quando. Mas, tal decisão é apenas-e-só o resultado lógico da «brincadeira» com que os americanos trataram a sua moeda - como se o seu povo e os outros povos do planeta fossem marionetas idiotas que tomassem o papel pintado «em dólares» como se fosse moeda; como se ele, por si-só, tivesse Valor.
É contra isso que os Alemães combatem; combateram quando tinham o marco e combatem agora defendendo o euro - e, com isso, respeitando o que de «muito sagrado» qualquer pessoa possui de Si: o Valor do seu trabalho convertido em moeda.
No fundo a brincadeira dos americanos acabava por ser semelhante à daqueles que, cinicamente, querem moeda própria para a poderem desvalorizar à vontade destruindo, assim, a Riqueza criada pelos trabalhadores, poupada na forma de moeda.
Ainda tive a esperança que o euro pudesse substituir o dólar, já que pelo menos este não era papel pintado. Todavia, o descalabro da economia Europeia e a solução adoptada de fotocopiar mais dinheiro, como se este fosse moeda, para resolver a Crise provocada pela estúpida, senão corrupta, Governação dos socialistas e sociais-democratas europeus, tornaram tal possibilidade impossível.
Os países e povos do planeta que, ainda que durante séculos tivessem sido «espremidos», ainda acreditavam na pojante e eficiente Cultura ocidentais; hoje, sabem que essa Cultura está a espernear de tão doente que está.
«Libertarem-se» dela de um momento para o outro é impossível, nem lhes interessa; mas, irem-se libertando progressivamente, inclusive para não se deixarem arrastar pela sua doença, é a melhor solução - e, sem dúvida, essa libertação começa precisamente por aí aonde a doença se propaga: a moeda.
Não duvido que este Movimento vai «pegar». Agora, foi a China e o Japão - e, só os dois já devem arrastar nesse «negócio» um terço da economia do planeta; mas, amanhã serão outros países.
Os sinos já devem tocar a rebate em Washington: se os países produtores de petróleo seguirem o exemplo, mesmo que ainda em acordos bilaterais, é «o fim» do dólar - e, já não há volta a dar. Foram-se as projecções de George Friedman em Os próximos 100 anos - uma previsão para o século XXI, foi-se o século da América.
Com isso não digo que os EUA «acabem», nem mesmo enquanto potência planetária. Mas, o abalo vai ser enorme: uma Nova Ordem Económica Mundial começará.
É evidente que um tal abalo, ainda mais se súbito, também não interessa aos outros países, mas o «estado» do dólar é tão deprimente que não lhes resta outra solução.
Por outro lado, também pode acontecer que, o acordo China-Japão, venha a pressionar os EUA-Europa a criarem, com os países, uma moeda-de-troca Internacional - evitando assim a queda no CAOS das economias ocidentais, o que não é bom para ninguém.
E, aí sim, vamos ver as regras alemãs de gestão da moeda a serem re-tomadas para a gestão da nova moeda internacional - já que o descalabro do euro terá servido mais de exemplo à nova moeda do que a do dólar que, apesar da sua internacionalização, é a moeda de um País.
Poucos terão anotado que ainda há poucos dias a China e o Japão acordaram entre si deixar de usar o dólar como moeda de comércio entre os dois países. Foi este acto «singelo» que deu início a uma Nova Ordem Económica Mundial.
Eu já o estava à espera - não sabia aonde iria começar, de que forma, nem quando. Mas, tal decisão é apenas-e-só o resultado lógico da «brincadeira» com que os americanos trataram a sua moeda - como se o seu povo e os outros povos do planeta fossem marionetas idiotas que tomassem o papel pintado «em dólares» como se fosse moeda; como se ele, por si-só, tivesse Valor.
É contra isso que os Alemães combatem; combateram quando tinham o marco e combatem agora defendendo o euro - e, com isso, respeitando o que de «muito sagrado» qualquer pessoa possui de Si: o Valor do seu trabalho convertido em moeda.
No fundo a brincadeira dos americanos acabava por ser semelhante à daqueles que, cinicamente, querem moeda própria para a poderem desvalorizar à vontade destruindo, assim, a Riqueza criada pelos trabalhadores, poupada na forma de moeda.
Ainda tive a esperança que o euro pudesse substituir o dólar, já que pelo menos este não era papel pintado. Todavia, o descalabro da economia Europeia e a solução adoptada de fotocopiar mais dinheiro, como se este fosse moeda, para resolver a Crise provocada pela estúpida, senão corrupta, Governação dos socialistas e sociais-democratas europeus, tornaram tal possibilidade impossível.
Os países e povos do planeta que, ainda que durante séculos tivessem sido «espremidos», ainda acreditavam na pojante e eficiente Cultura ocidentais; hoje, sabem que essa Cultura está a espernear de tão doente que está.
«Libertarem-se» dela de um momento para o outro é impossível, nem lhes interessa; mas, irem-se libertando progressivamente, inclusive para não se deixarem arrastar pela sua doença, é a melhor solução - e, sem dúvida, essa libertação começa precisamente por aí aonde a doença se propaga: a moeda.
Não duvido que este Movimento vai «pegar». Agora, foi a China e o Japão - e, só os dois já devem arrastar nesse «negócio» um terço da economia do planeta; mas, amanhã serão outros países.
Os sinos já devem tocar a rebate em Washington: se os países produtores de petróleo seguirem o exemplo, mesmo que ainda em acordos bilaterais, é «o fim» do dólar - e, já não há volta a dar. Foram-se as projecções de George Friedman em Os próximos 100 anos - uma previsão para o século XXI, foi-se o século da América.
Com isso não digo que os EUA «acabem», nem mesmo enquanto potência planetária. Mas, o abalo vai ser enorme: uma Nova Ordem Económica Mundial começará.
É evidente que um tal abalo, ainda mais se súbito, também não interessa aos outros países, mas o «estado» do dólar é tão deprimente que não lhes resta outra solução.
Por outro lado, também pode acontecer que, o acordo China-Japão, venha a pressionar os EUA-Europa a criarem, com os países, uma moeda-de-troca Internacional - evitando assim a queda no CAOS das economias ocidentais, o que não é bom para ninguém.
E, aí sim, vamos ver as regras alemãs de gestão da moeda a serem re-tomadas para a gestão da nova moeda internacional - já que o descalabro do euro terá servido mais de exemplo à nova moeda do que a do dólar que, apesar da sua internacionalização, é a moeda de um País.
sábado, 2 de junho de 2012
Foram os Privados que ganharam!
Bem..., pelo menos parece que já se começou a entender que o Povo português está perante uma Dívida Odiosa - um dívida criada pelo Estado contra os mais elementares interesses do País. Até o Tribunal de Contas, que sempre esteve - formalmente - calado, vem agora formalmente a terreiro para o dizer.
Todavia, a Culpa parece que começa a ser lançada sobre os Privados, bancos e demais as empresas privadas.
Isso é um erro grave - um erro de Princípio. Se não se olhar para «o Erro» as coisas não mudarão - como acabaram por não mudar pós 25 de Abril, apesar de todas as esperanças e expectativas.
Idêntico erro foi cometido por Marx - e acabou por resultar no flagelo do comunismo como o conhecemos nos países do Leste europeu, em Cuba ou na China.
O erro de Marx foi ter atribuído a «exploração do homem pelo homem» aos capitalistas, «antes» deles à nobreza, e ainda «antes» aos guerreiros, etc. Na sua divisão da sociedade em classes - que, aliás, não é sua -, as classes a que se refere são a burguesia, o proletariado, o campesinato, a nobreza, o clero, etc. - às quais, outros teóricos marxistas, irão acrescentar «novas» classe sociais, como o lupem-proletariado por exemplo.
Todavia, todos eles como-que se esquecem de uma classe fundamental: a classe política - da qual, aliás, podem sair membros provenientes de todas as outras classes. A classe política - como todas as outras classes - distingue-se, e assim se constitui como classe, pelos seus interesses específicos.
Essa classe foi esquecida - possivelmente, porque se considerou que, sendo a política necessária e um contínuum histórico (aliás, como o é a «exploração do homem pelo homem), ela não justificaria a mudança histórica nem a tal «exploração do homem pelo homem».
De facto, não é assim. E, ainda que a política seja necessária e seja um contínuum histórico - existe sempre -, os países mais desenvolvidos foram precisamente aqueles que meteram «arreios nos dentes» dos políticos: a Inglaterra e os países que seguiram a sua Tradição Cultural. Ou seja, quando os operários tomaram a Rússia «viraram» políticos e, como tal, «entornaram o caldo»; quando os camponeses tomaram tomaram a China «viraram» políticos e «entornaram o caldo»; quando a burguesia intelectual tomou Cuba «viraram» políticos e «entornaram o caldo»; etc.
No capitalismo não são os capitalistas que mandam, ainda que eles influam, e, com muita força. O poder do clero não está em mandarem - como o dos capitalistas -, está em influir. Um e outro influem, nomeadamente influem pelo seu saber, capacidade de persuasão, até pelo dinheiro e capacidade de iniciativa. Quem manda, são os políticos.
Note-se que, ainda mais nas sociedades modernas, o mando tem de se sustentar na Legalidade. Ora, quem Define e Cria Legalidade - aos actos - é o político, é a classe política. Ou seja, quem manda é sempre o Estado.
Por exemplo, um qualquer «desgraçado» que queira sobreviver e fazer sobreviver a sua família e filhos - como qualquer de nós - tem de trabalhar, tem de «poder trabalhar». Mas, quem o autoriza a trabalhar é o Estado - é a classe política; é esta que define regras: diz o que pode ou não fazer, como fazer, aonde fazer, o que tem de pagar para «poder trabalhar» e o que deve pagar «depois de trabalhar», etc., etc.
Olhemos um «desgraçado» que quer construir uma casa como negócio. Tem de se dirigir ao Estado. O Estado, ainda que «obrigado« a cumprir a Lei que ele-próprio criou, «retém» a sua decisão de autorizar, «retém» e «retém» e «retém» até que o «desgraçado» - como todos nós os não-Estado - lhe oferece uma Prenda. Resultado: a autorização «sai». Quem manda»? O Estado ou o que tem-de-pagar a Prenda?
Outra situação, o «desgraçado» - que já não é «desgraçado» -, aprendeu que a Prende abre portas ao próprio Legal. Então, que tal fazer o ilegal? Será que abre portas? Claro que abre. Quem tem o mando: o capitalista ou o Estado?
O Estado manda sempre, até porque pode legalizar o ilegal. A classe política é quem manda - as outras servem-na, ainda que umas (os capitalistas, o clero) lhe sirvam mais que outras (o proletariado ou o campesinato).
Aliás, eles mandam tanto que, quando dizem que querem combater o corrupção, começam logo por definir que o corruptor activo é quem paga, e, o corruptor passivo - eles - é quem recebe. Ou seja, começam logo por definir o malandro: o que pagou - como se eles fossem os anjinhos neste processo.
Ora, é precisamente ao contrário: o corruptor activo é o político, o corruptor passivo é o desgraçado que tem-de-pagar- tem-de-pagar para poder trabalhar para sustentar a sua família. «Tem de pagar», mesmo para a Lei ser aplicada pela classe política.
Não foram os Privados que conduziram e ganharam com a ladroagem, com a Dívida Odiosa, que a classe política fez ao País, ao Povo português. É evidente que eles também ganharam - afinal, tinham de «trabalhar»; quem mais ganhou - aliás, quem conduziu todo o processo - foi a classe política.
Aliás, é porque continuo a duvidar que a classe política do País tenha mudado, que duvido fortemente que tal classe seja capaz de conduzir os portugueses para fora do pantanal aonde os colocou. Tudo indica que serão os «desgraçados» - os mesmos - a ter-de-pagar.
O único exemplo Cultural, até hoje existente, aonde a classe política se comporta de «outra« maneira, foi aí aonde os cidadãos lhe conseguiram colocar um «arreio nos dentes»: na cultura anglo-americana. Afinal, tal classe tem sempre de existir!
Bem..., pelo menos parece que já se começou a entender que o Povo português está perante uma Dívida Odiosa - um dívida criada pelo Estado contra os mais elementares interesses do País. Até o Tribunal de Contas, que sempre esteve - formalmente - calado, vem agora formalmente a terreiro para o dizer.
Todavia, a Culpa parece que começa a ser lançada sobre os Privados, bancos e demais as empresas privadas.
Isso é um erro grave - um erro de Princípio. Se não se olhar para «o Erro» as coisas não mudarão - como acabaram por não mudar pós 25 de Abril, apesar de todas as esperanças e expectativas.
Idêntico erro foi cometido por Marx - e acabou por resultar no flagelo do comunismo como o conhecemos nos países do Leste europeu, em Cuba ou na China.
O erro de Marx foi ter atribuído a «exploração do homem pelo homem» aos capitalistas, «antes» deles à nobreza, e ainda «antes» aos guerreiros, etc. Na sua divisão da sociedade em classes - que, aliás, não é sua -, as classes a que se refere são a burguesia, o proletariado, o campesinato, a nobreza, o clero, etc. - às quais, outros teóricos marxistas, irão acrescentar «novas» classe sociais, como o lupem-proletariado por exemplo.
Todavia, todos eles como-que se esquecem de uma classe fundamental: a classe política - da qual, aliás, podem sair membros provenientes de todas as outras classes. A classe política - como todas as outras classes - distingue-se, e assim se constitui como classe, pelos seus interesses específicos.
Essa classe foi esquecida - possivelmente, porque se considerou que, sendo a política necessária e um contínuum histórico (aliás, como o é a «exploração do homem pelo homem), ela não justificaria a mudança histórica nem a tal «exploração do homem pelo homem».
De facto, não é assim. E, ainda que a política seja necessária e seja um contínuum histórico - existe sempre -, os países mais desenvolvidos foram precisamente aqueles que meteram «arreios nos dentes» dos políticos: a Inglaterra e os países que seguiram a sua Tradição Cultural. Ou seja, quando os operários tomaram a Rússia «viraram» políticos e, como tal, «entornaram o caldo»; quando os camponeses tomaram tomaram a China «viraram» políticos e «entornaram o caldo»; quando a burguesia intelectual tomou Cuba «viraram» políticos e «entornaram o caldo»; etc.
No capitalismo não são os capitalistas que mandam, ainda que eles influam, e, com muita força. O poder do clero não está em mandarem - como o dos capitalistas -, está em influir. Um e outro influem, nomeadamente influem pelo seu saber, capacidade de persuasão, até pelo dinheiro e capacidade de iniciativa. Quem manda, são os políticos.
Note-se que, ainda mais nas sociedades modernas, o mando tem de se sustentar na Legalidade. Ora, quem Define e Cria Legalidade - aos actos - é o político, é a classe política. Ou seja, quem manda é sempre o Estado.
Por exemplo, um qualquer «desgraçado» que queira sobreviver e fazer sobreviver a sua família e filhos - como qualquer de nós - tem de trabalhar, tem de «poder trabalhar». Mas, quem o autoriza a trabalhar é o Estado - é a classe política; é esta que define regras: diz o que pode ou não fazer, como fazer, aonde fazer, o que tem de pagar para «poder trabalhar» e o que deve pagar «depois de trabalhar», etc., etc.
Olhemos um «desgraçado» que quer construir uma casa como negócio. Tem de se dirigir ao Estado. O Estado, ainda que «obrigado« a cumprir a Lei que ele-próprio criou, «retém» a sua decisão de autorizar, «retém» e «retém» e «retém» até que o «desgraçado» - como todos nós os não-Estado - lhe oferece uma Prenda. Resultado: a autorização «sai». Quem manda»? O Estado ou o que tem-de-pagar a Prenda?
Outra situação, o «desgraçado» - que já não é «desgraçado» -, aprendeu que a Prende abre portas ao próprio Legal. Então, que tal fazer o ilegal? Será que abre portas? Claro que abre. Quem tem o mando: o capitalista ou o Estado?
O Estado manda sempre, até porque pode legalizar o ilegal. A classe política é quem manda - as outras servem-na, ainda que umas (os capitalistas, o clero) lhe sirvam mais que outras (o proletariado ou o campesinato).
Aliás, eles mandam tanto que, quando dizem que querem combater o corrupção, começam logo por definir que o corruptor activo é quem paga, e, o corruptor passivo - eles - é quem recebe. Ou seja, começam logo por definir o malandro: o que pagou - como se eles fossem os anjinhos neste processo.
Ora, é precisamente ao contrário: o corruptor activo é o político, o corruptor passivo é o desgraçado que tem-de-pagar- tem-de-pagar para poder trabalhar para sustentar a sua família. «Tem de pagar», mesmo para a Lei ser aplicada pela classe política.
Não foram os Privados que conduziram e ganharam com a ladroagem, com a Dívida Odiosa, que a classe política fez ao País, ao Povo português. É evidente que eles também ganharam - afinal, tinham de «trabalhar»; quem mais ganhou - aliás, quem conduziu todo o processo - foi a classe política.
Aliás, é porque continuo a duvidar que a classe política do País tenha mudado, que duvido fortemente que tal classe seja capaz de conduzir os portugueses para fora do pantanal aonde os colocou. Tudo indica que serão os «desgraçados» - os mesmos - a ter-de-pagar.
O único exemplo Cultural, até hoje existente, aonde a classe política se comporta de «outra« maneira, foi aí aonde os cidadãos lhe conseguiram colocar um «arreio nos dentes»: na cultura anglo-americana. Afinal, tal classe tem sempre de existir!
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