quarta-feira, 20 de junho de 2012

Miguel Sousa Tavares e as energias alternativas

A Energia e, em particular, as energias alternativas andam na «berra» de tão mal faladas como têm sido. Depois do eldorado (dos subsídios a fundo-perdido) em que todos falavam bem delas, seguiu-se um período em que se descobriu que o «rei ia nu».
Eis, que no último Expresso, Miguel Sousa Tavares vem defender as energias alternativas - e a estratégia energética de Sócrates. Como defesa apresenta as políticas de alguns países, como a França, aonde está a ser feita uma drástica diminuição do Nuclear.

É evidente que toda a gente quer energias não poluentes e seguras. Se é esta a questão, então viva a estratégia «de Sócrates» - se é que é dele!
Mas, a questão não é assim tão simples. Tenho um familiar na Noruega; neste país ligam-se os aquecedores - neste caso eléctricos - no início do Outono e desligam-se em meados da Primavera (umas vezes mais cedo, outras mais tarde); durante esse período trabalham continuamente - se tal deixa de acontecer, a habitação torna-se inabitável durante os dois a três dias necessários para voltar a aquecê-la. Ora, durante este período, este familiar gasta, mensalmente, metade do que eu gasto em Portugal com sistema tri-horário, com preocupação em deslocar o maior consumo para horas vazias, só usando ar condicionado muito pontualmente (o que significa cerca de uma a três horas diária no Inverno), etc.
Parece um absurdo, não é?

Pois é! Parece, mas não é.
As energias alternativas, eólica e solar, são caríssimas quando comparadas com o custo médio das energias tradicionais. Por isso, só um louco, ou quem despreza o seu Povo «pagador», poderia querer sustentar a estratégia energética nacional em energias alternativas.
Paralelamente, o mesmo Governo resolveu des-responsabilizar as empresas dos Riscos de Investimento: oferecendo ricas Rendas pelas capacidades instaladas, quer fossem utilizadas ou não (como nas auto-estradas). Isso, associado ao crédito fácil - garantido pelo Estado -, foi ver as potências instaladas a subir por todo o País (sem necessidade real) e o custo dos investimentos a subir (o que poderia ser construído por 100 se o investimento fosse privado, passou a ser construído por 100+? porque quem pagava era o Estado). Resultado: só sobrevivemos, porque não temos um País frio - todavia, só sobrevivemos mesmo, já que a larga maioria da população não consegue ter acesso a mais do que um miserável aquecimento no Inverno. De facto, passo mais frio em Portugal que na Noruega.

Não se pode olhar para as energias alternativas - conceito que é diferente de energia renovável, que  inclui também a energia hidroeléctrica -, sem ter em atenção o seu custo. Se a austeridade é um remédio tão forte que pode matar o doente, o mesmo se passa com as energias alternativas: são tão caras que não se podem utilizar (ou só os ricos o podem fazer - o que parece não ser grande problema na estratégia Socrática).

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