quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Criação e Inovação na Crise

Toda a gente hoje fala de Criação e Inovação. É a salvação do País! - dizem.
Mas, olhem para «dentro de» cada um de vós e pensem em «algo» que seja Criação e Inovação. Não sabem! Deixem lá, que não é de espantar - por isso se diz que é «Criação e Inovação». Se soubessem, não seria.
Aí é que está! A Criação e a Inovação é algo excepcional e acontece até para Espanto de quem Cria e Inova - é essa a sua característica.
Por isso, regulamentar «tudo e todos» é anti-Criação e anti-Inovação. Só se «regulamenta para ...» o que já se conhece - não é Criação - e «para» preservar o que já se conhece - não é Inovação. Regulamentar significa pré-Determinar. Por isso a intervenção do Estado é sempre anti-Criação e anti-Inovação; mesmo quando o Estado diz que investe na Inovação (como nas energias «absurdas»), em geral esta aparece (quando aparece!) casuísticamente. Por exemplo, a Internet aconteceu como acaso da actividade (financiada pelos Estados) no CERN para um fim totalmente diferente - mas, como na Europa quem manda é o Estado, foi nos EUA que a Internet «nasceu». A ex-URSS «sabia muito», se havia aonde se investia era na Criação e Inovação (militar) mas foi nos EUA que o «saber da URSS» se transformou em realidade.
Ou seja, o Estado pode ter um papel muito importante na Criação e Inovação. Como? Não intervindo! Afinal, a Criação e Inovação é «o desconhecido» e, como desconhecido que é, surge de forma imprevista e em «qualquer lugar». Assim, investir na Criação e Inovação é investir na Diversidade - ou seja, é tudo menos regulamentar ou investir «para». E nisso, o Estado tem efectivamente um papel: intervir apenas para conter, ou mesmo destruir, os monopólios e os oligopólios, e intervir sobre si-mesmo para evitar o seu próprio excesso de intervencionismo sobre a sociedade civil - evitando assim pré-Determinar o menos possível os cidadãos. Na Criação e Inovação, a palavra de ordem não deve ser "deixem-me trabalhar", com disse uma vez um ex-Primeiro Ministro português; na Criação e Inovação a palavra de ordem deve ser «deixem os cidadãos trabalhar», «deixem a sociedade civil trabalhar».
Mas esta, ainda que seja a condição Fundamental da Criação e Inovação, de facto não toma sentido se a possibilidade-de-Iniciativa for retirada à sociedade civil - e isso acontece quando toda (quase-toda) a riqueza criada pelos cidadãos é extorquida pelo Estado para «Investir em» (evidentemente, na não-Criação e na não-Inovação, investida em «o que já se conhece»). Ou seja, se os cidadãos têm de sobreviver todos os dias com o dinheiro-de-bolso que o Estado lhes deixa (do seu próprio trabalho), como vão «libertar-se» para Criar e Inovar? Todos os seus dias, toda a sua Mente, está pré-Determinada pela necessidade de «a refeição que vai ter de comer no dia seguinte». Se a «regulação excessiva» mata a Criação e Inovação, a extorsão (pelos impostos) da riqueza criada pelos próprios cidadãos mata a sua capacidade de Iniciativa - uma e outra reduzem-no à «animalidade»: a um «ser pré-Determinado» (sem capacidade própria, aonde a própria Vontade - e a Mente que a sustem - deixam de ter razão de existência).
Por isso, deixar o suor-e-sangue dos cidadãos com eles próprios (evitando impostos de extorsão) e evitar a regulamentação excessiva, é a condição para que aconteça «o Espanto»: o Espanto consigo mesmo, de quem Cria e Inova - e assim, aconteça o nosso Espanto. Nem se trata mesma da Criação e da Inovação ser do foro de seres especiais, sobre-dotados, trata-se apenas ser do foro de todos nós, seres Humanos. É a Humanidade de cada um que temos de deixar desenvolver-se e florescer, os Frutos virão. A pré-Determinação é a doença da Humanidade, é a doenças dos seres Humanos enquanto Humanos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Porque esta designação

"Galinhas e Galinheiros" foi o título dado a uma reflexão-resposta originada como réplica a um filósofo, amigo, que diz ser a Realidade aquilo que cada um de nós-próprios cria do mundo envolvente e de si-mesmo, não sendo a Realidade de «o senso comum» mais do que a Realidade imposta à comunidade pelas suas respectivas elites políticas, económicas, intelectuais, etc.
O título dessa reflexão procura assim conter em si-mesmo a resposta àquilo que me parece constituir contra-senso no tipo de cosmovisão que defende o meu amigo - e muitos outros filósofos bem mais conhecidos e «citados».
No título: Galinhas e Galinheiro estão contidos dois conceitos que correspondem a Realidades diferentes - ainda que ambas tomem forma na Consciência segundo processos similares: segundo sensações, dependentes do sistema bio-sensorial existente em nós seres-humanos, que são transformadas em percepções por algum tipo de processamento específico à Consciência.
Em «galinhas» e «galinheiro», o meu amigo parece ter razão quanto ao "galinheiro" - de facto, o galinheiro constitui uma Criação Humana; aliás, é tanto Criação Humana que ele surge primeiro na sua Consciência - como local aonde se guardam galinhas - e só depois surge a materialização de «o galinheiro». Daí que o «melhor» galinheiro do mundo esteja sempre na Consciência de cada qual; afinal, o galinheiro «já materializado» possui sempre algum quê de «defeito» - «defeito», evidentemente face ao existente (e aí concebido) na Mente do seu Criador (e-ou dos seus utilizadores).
Aliás, note-que que, mesmo «materializado», o galinheiro - em si-mesmo enquanto «galinheiro» - nem Existe. Só «criadores de galinhas» atribuem a um dado «espaço» o qualificativo de galinheiro - aliás, há hoje galinheiros tão sofisticados que, perante eles, não saberia que são galinheiros. É certo que o galinheiro é executado por materiais que Existem na Natureza, ainda que dispostos numa dada estrutura e organização, mas o Significado dessa estrutura-e-organização só Existe na Mente do seu Criador - ou seja, o galinheiro acaba por não ser mais que Significado: primeiro, um Significado que surge na Consciência do seu Criador e, só depois, materializado numa forma «física».
Essa Realidade, a do galinheiro, é todavia diferente da Realidade constituídas pelas galinhas (não: pela «galinha»), como também é diferente da Realidade constituída pelos materiais com que o galinheiro é materializado. No caso das galinhas, estas Existem, possuem «materialidade», antes que delas exista um conceito - que as defina e as aponte»: são galinhas, não são patos ou couves. As galinhas não «são» Significado, como é o galinheiro ou é «a galinha», as galinhas «têm» Significado, elas «São» em si-mesmas - algo que não acontece com o galinheiro ou com «a galinha» enquanto conceito abstracto daquilo que distingue as galinhas das não-galinhas.
Todavia, como ambas as Realidades (1) se «formam» na Consciência por processos envolvendo as mesmas bio-ferramentas e, quando se assumem na sua materialidade, (2) fazem-no através de materiais «naturais» (que como as galinhas existem «antes» de se ter deles Consciência) e, ainda, (3) porque ambas as Realidades se referenciam sempre a um observado: a quem tem (e forma) delas Consciência, essas Realidade tendem a confundir-se entre si - mais ainda tendem a confundir-se entre si quando se torna possível ao ser-humano «transformar» as galinhas em algo que, já não sendo de facto galinhas, se continua a denominar de galinhas (apesar de serem bio-ferramentas para transformar milho em carne) ou quando se torna possível criar materiais que nem existem na Natureza. Ou seja, a capacidade-de-Criação e a capacidade de transformação de «o Existente» atingiram um grau de possibilidade e uma intensidade tais que «parece» viver-se (e até «ser-se») aquilo que nós-próprios Criamos, fora de cada um de nós e em cada um de nós - daí que, quando não «gostamos» do ambiente em que vivemos ou de nós-próprios, a culpa seja vista como da Elite, daqueles que nos impuseram tal Criação - afinal, podiam ter Criado «outra», sendo tudo uma questão de Vontade.
O facto de vivermos num mundo cada vez mais artificial, concebido e materializado pelo ser-humano, faz com que cada vez mais só vejamos esse mundo artificial e que até nos vejamos a nós próprios como artificiais (o que é ajudado pela medicina moderna, inclusive pela medicina estética e, no futuro, pela genética).
Como é evidente uma tal cosmovisão do mundo e da Vida, e de nós-próprios, confundindo aquilo que é de «a Natureza» com aquilo que é «nossa Criação» (inclusive, a resultante da possibilidade de Nomear, pela Palavra), ainda que ambas se inter-relacionem entre si intimamente, é excepcionalmente perigosa aos seres-humanos. Hoje, parece ter deixado de Existir «OS» seres-humanos», hoje parece que só Existe «O» ser-humano - ou seja, parece só existir um conceito (como o de galinheiro), parece só existir «o projecto» para construir «o ser-humano» à imagem de esse conceito. Por isso, a tentativa de «formatar» tudo-e-todos a «o conceito», que só tem Existência em UMA Mente (já que «a Mente» não existe), é cada vez mais forte - e, aí o meu amigo tem razão: a Realidade de «o senso comum» é a Realidade de «o mais forte».
A Criação de sistemas-institucionais poderosíssimos (e até irresponsabilizáveis) tornou possível pretender «formatar» os próprios seres-humanos a «o conceito» daqueles que mandam: transformá-los «num projecto», num projecto «a materializar» - como afinal aconteceu com o meu galinheiro (felizmente, ainda não com as «minhas» galinhas - para bem delas e, sem dúvida, de mim-mesmo).
Neste sentido, a Educação de «o Estado» constitui uma ferramenta poderosíssima em esse projecto, frequentemente denominado «de Humanização», quando de facto constitui um projecto «de des-Humanização» - e, talvez não por acaso, o meu amigo filósofo tenha «altas» responsabilidades educativas. É de facto como se houvesse uma Realidade-oficial - evidentemente, a do Estado (de facto, a dos seres-humanos que o controlam); afinal, o que dizer de uma Lei, aprovada em França, segundo a qual passou a ser Crime dizer que não houve «um dado massacre» na Turquia? A Realidade passou a ser do foro dos políticos, da Legislação!
Por isso, quando «aparece» uma Crise como a que se vive hoje na Europa, nomeadamente nos países do Sul da Europa, ninguém parece entender o que se passa e, muitas das medidas propostas e algumas das tomadas, continuam a ser do foro de uma Realidade ficcionada (pior: da Realidade-oficial do Estado) - só perturbada (na Mente de «os seus projectistas») porque os seres-humanos vêm para a rua dizer que têm fome, partem montras, etc. Ou seja, pelo menos nas Crises (e por isso são Crises), quando a Realidade-oficial se confronta com a Realidade, «o ser-humano» desaparece, como que por artes mágicas, para aparecerem «os seres-humanos».
É que: há uma Realidade não-ficcionada, e, ainda mais, uma Realidade não-oficial; é a Realidade que, ainda que desconhecida, está por baixo de tudo-e-todos e que acondiciona o que dela emerge. Trata-se de uma Realidade que não se Cria «por Lei», trata-se da Realidade que os cientistas (e até as religiões) procuram «descortinar» todos os dias - ela é «Princípio de», ela é alicerce e, enquanto alicerce, acondiciona o que «vem a seguir». Por isso é tão importante descobri-la.
É evidente que o meu amigo não deixa de ter alguma razão, afinal vivemos muito mais imersos num mundo ficcionado e artificial do que na Natureza em si-mesma. Todavia, por um lado é preciso ter Consciência que muitíssimo desse mundo é mesmo «ficcionado» e, por outro lado, que não nos deixemos a nós-próprios que sejamos transformados igualmente «em ficção». Paralelamente, deixemos os seres-humanos buscar o Mistério com que continua envolto «O Princípio de» - e, se reparem bem, a Crise actual é uma Crise «de Princípios», é uma Crise que resultou de uma cosmovisão da qual se pode já afirmar (segundo Popper) que é ERRADA, porque dessa cosmovisão, aplicada de forma omnipresente pelos Estados a tudo-e-todos, acabou na miséria extrema de milhões de seres-humanos e na auto-destruição de países.
Ainda que as galinhas possam ser vistas como vivendo num galinheiro, as galinhas e o galinheiro não possuem o mesmo Princípio. Fazê-lo, constitui um ponto-de-partida e, já, um acondicionamento a tudo o que posteriormente vier a ser concebido e materializado - afinal, constitui uma cosmovisão, sob a qual se vê tudo «o resto»: o que já se conhece e o que está por conhecer. Todavia, e infelizmente, só podemos saber que a «nossa» cosmovisão está ERRADA quando «batemos com a cabeça na porta», e, nessa altura, já nada nos salvará do «galo» - bem..., esperemos que com o «galo» continuemos a «andar por cá», pois o ERRO pode ser tão determinante que não tenhamos segunda oportunidade.
E, face à Crise existente em Portugal, não por acaso Criada pelas Elites (por aqueles que Criam e impõem «a Realidade»), será de perguntar: será que os portugueses terão uma segunda oportunidade? Sinceramente que tenho muitas dúvidas que, a larga maioria deles, dos seus filhos (se os têm!) e possivelmente dos seus netos (se os tiverem!), tenham uma segunda oportunidade. Afinal, a Natureza também não deu uma segunda oportunidade aos dinossauros - por isso estamos cá hoje, e amanhã «outros», neste caso ainda parecidos connosco, poderão vir a substituir-nos no vazio que pura-e-simplesmente deixámos.