Já não corremos o risco do precipício (!?)
Segundo o Primeiro-Ministro, e conforme os bons resultados no cumprimento do programa «Troika», estamos já afastados do precipício.
Bem..., eu não gostaria de ver este Primeiro-Ministro fazer o mesmo que o Sr. Sócrates: animar o Povo na perspectiva que assim a vidinha vai correr bem. Mas...
Como é possível que a situação esteja hoje melhor que ontem?
1º - A dívida aumentou, em vez de diminuir.
2º - O Orçamento está a ser equilibrado pelo lado da Receita - apesar do esforço, nitidamente insuficiente, de redução da Despesa. Ou seja, continua o esmagamento da sociedade, impedindo-a de reagir à Crise - aliás, o esmagamento é tal, que a sociedade civil nada mais pode fazer que sobreviver ou «fugir».
3º - A economia só reagiu «fechando portas» - o que já é um saneamento das Inutilidades que por aí existiam. Todavia, muitas mais há para «fechar portas».
4º - As PPP's pouco ou nada não foram mexidas; aliás, a própria Troika diz que o que foi feito na energia foi pouco ambicioso.
5º - A subsidio-dependência continua na mesma. Ou seja, não foi feito esforço algum para que aquilo que hoje vive do Estado (do dinheiro dos contribuintes) se tivesse de libertar deste - nomeadamente, na Cultura, na assistência e solidariedade social, nos Institutos que por aí proliferam, nas ONG's - que de NG's só têm o nome -, etc.
6º - Tudo o que se fez no campo da fiscalidade, foi afugentar o investimento nacional e estrangeiro.
7º - Nada se fez na burocracia pública; e, os Tribunais continuam como «antes» -aliás, piores: já que o política tem sido desentupir os Tribunais transferindo para tribunaizinhos aquilo que antes era do domínio da Justiça (só devem estar a brincar, por este andar é melhor pensar numa estrutura alternativa aos Tribunais, para que Justiça seja feita, e, mandar fechar «estes» e reformar o pessoal).
Etc.
Ou seja, nada se fez de concreto - que, por um lado, diminuísse efectivamente a Despesa do Estado (diminuísse o peso que a sociedade tem de suportar com este Estado) e que, por outro lado, favorecesse a re-estruturação social-e-económica do País face ao modelo predador e subsídio-dependente do Estado face à sociedade, modelo que conduziu à actual Crise.
Então, porque está o Primeiro-Ministro contente? Porque foi bom-aluno; já não é mau sê-lo. Todavia, a preocupação da Troika não é propriamente resolver a situação do País, ainda que isso a preocupe.
A preocupação da Troika é «salvar» os credores - e, como consequência secundária, têm de nos aguentar o suficiente-e-necessário para que lhes paguemos. Nisso, estamos a ser bons alunos - o Povo que o diga; até as PPP´s andam contentes, afinal eles também são credores, os «credores» pelos quais a Troika está cá. Aliás, somos tão bons alunos - para com os credores - que até a Troika acha que deveríamos tratar os «credores» PPP's com um pouco mais de preocupação em defender os interesses de Portugal.
Ora, o «nosso» problema não é esse - pelo menos, não o é inteiramente. O nosso problema é que temos uma sociedade distorcida, profundamente distorcida e doente. A Crise de «a Dívida» foi apenas um sintoma - não se devendo tomar o sintoma pela doença.
Ou seja, nada se fez para atacar a doença - o que se fez foi para atacar a dor-de-cabeça dos credores, como se estes, já sem dores-de-cabeça, se viessem a tornar a meter na «mesma»: emprestar dinheiro ao Estado português em 2013 ou 2014 ou 2015.
É interessante recordar que já há anos que Medina Carreira dizia que, mesmo encarando o «para aonde Portugal se estava a encaminhar dia-após-dia pela acção irresponsável do Estado», não haveria Vontade política para corrigir as coisas; era necessário que o FMI aterrasse em Lisboa. Bem..., aterrou a troika; mas, aterrou para defender os credores contra este Estado, não aterrou para defender os portugueses deste Estado - «nisso», Medina Carreira enganou-se, o Povo Português não tem Procurador.
É, pois, muito provável que se continue a cumprir muito bem o pagamento às «PPP´s» - e, disso, se vangloria, como bom aluno que é este Estado; aliás, como sempre o foi: criou Dívida a contento de «as PPP´s» e, agora, paga-a rigorosamente. Até a troika se admira - é, de facto, um Excelente aluno.
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