sábado, 26 de maio de 2012

O único culpado da Crise é o Estado

A intervenção do Estado com vista à Solidariedade, Emprego e Crescimento - como se tem feito após 25 de Abril - tem vindo a aquecer permanentemente a economia portuguesa: isto é, tem lançado na economia, empresas e pessoas, excesso de liquidez. «Tudo» é pago muito acima dos preços que numa economia de mercado liberal (!) se pagaria - só assim o Pingo Doce pode ter lucros mesmo fazendo um desconto de 50% sobre todos os seus produtos. Aliás, «os 50%» do Pingo Doce são um bom exemplo do que se passa no mercado não-liberal que acontece em Portugal.

Também, a EDP acaba de «aceitar» - de facto, ela própria deve tê-lo proposto, para acalmar ânimos - uma redução de Rendas que, parecendo de montante excessivo, apenas afecta 1% das suas receitas e 2.5% dos seus lucros. Os donos das auto-estradas, de tantas Rendas que já têm, parecem estar mais preocupados que as viaturas  não as estraguem - o que exigiria despesas de manutenção - do que em assegurar mais clientes - bem..., agora também «aceitam» uma redução de Rendas. As empresas municipais, a primeira coisa que fizeram ao serem privatizadas, foi aumentarem (custos e) preços - Rendas - sem terem alterado o que quer que fosse na quantidade e qualidade da prestação de serviços.Etc.

Ou seja, quando o Estado monopoliza a riqueza nacional - retirada dos cidadãos através de impostos extorsionários  - transforma-se verdadeiramente  no único agente-económico nacional; tudo o que acontece no País é determinado pelo (e serve ao) Estado. Até as ONG's ou Agências de combate à fome, e IPSS ou, até, a Igreja, deixariam de existir se os subsídios do Estado deixassem de lhes chegar - aliás, muitas dessa instituições só foram criadas porque havia subsídios para distribuir.

Mas a intervenção do Estado não se fica por aqui. O Estado reserva mercado aos «Privados» - como já acontecia no tempo-de-Salazar -, o Estado «privatiza» as suas responsabilidades para depois pagar Rendas (sempre excessivas) àqueles que as passaram a realizar em seu nome, o Estado adjudica acima dos preços que um qualquer Privado alguma vez o faria, o Estado dá à gestão privada as suas próprias instituições aumentando assim de um dia-para-o outro os seus encargos, o Estado negoceia acções a realizar por entidades privadas contra Rendas (excessivas) a pagar por si ou pelos portugueses durante períodos «inimagináveis», ETC.

A Crise que Portugal hoje vive, mesmo naquilo que é da responsabilidade dos privados - empresa e pessoas -, é de facto uma Crise criada pelo Estado Português. Criada pelo Estado português, porque tal Estado comanda toda a economia: intervindo directamente, estimulando ou des-estimulando, excepcionando este ou aquele da Lei Geral, ou fazendo-lhe uma Lei à medida, etc. Como nas economias planificadas ou fascistas, o Estado é o único que ordena em Portugal - e, o resultado, também como sempre aconteceu naquelas economias, desembocou na Crise.

Tudo estava «rico», de um momento para o outro, com as Rendas do Estado - só, os portugueses não-subsidiados estavam pobres (pelo menos, tinham um «bom» emprego a salário-mínimo). Bem..., de facto também os credores estavam a ficar com o rabo-a-arder, sem disso se aperceberem. Afinal, alguém tinha de pagar o eldorado aonde o que valia 10 era pago pelo Estado como se valesse 100! Distribui-se o que se tinha e não tinha - e, a isso, chamou-se Solidariedade, Emprego e Crescimento.

Não foram os portugueses - ou mesmo as empresas - que viveram acima das suas possibilidades. Foi o Estado que viveu acima das suas possibilidades e «obrigou» os portugueses e empresas a viverem acima das suas possibilidades. O Estado «criou» uma Realidade fictícia - só possível, porque os credores olharam para «este» Estado como se fosse igual a um «Estado Europeu» e, só possível, porque as empresas acreditaram na Garantia Soberana de tal Estado e, só possível, porque os portugueses viveram «bons dias», qual «o dia» em que o seu clube-de-futebol ganha.

É evidente que se está perante um «problema de Estado» - isto é, como foi possível que um tal Estado tivesse surgido? Como o pós 25 de Abril pôde evoluir para tal «coisa»?
Mas, está-se também perante uma questão Ética - que tipos-de-pessoas são estas que conduziram o «seu» País e o «seu» próprio Povo para tal situação? Para mim, esta é a questão mais grave: que tipo-de-pessoas são essas?


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