"A austeridade é a mais, é preciso crescimento"
Não há dúvida que Portugal ainda não começou a pagar as suas dívidas - por isso, ela continua a aumentar dia após dia - e já possui o seu Povo na penúria e o seu património na mão de estrangeiros. Ou seja, «basta de austeridade, é preciso crescimento».
Todavia, esta conclusão é óbvia. É tão óbvia, que foi o «crescimento» que colocou o País e o Povo português na actual situação; é tão óbvia, que até há quem diga que o actual «modelo de desenvolvente» está esgotado.
A questão não está pois em repetir o «o óbvio». Pelo contrário, é preciso dissecar o óbvio, para que não se repita - como se tal fosse possível! - o que obviamente caiu sobre o País e os portugueses.
Ora, e dissecando o «o óbvio», a primeira coisa a reparar é que tal não constituiu propriamente um «modelo de desenvolvimento» - o seguido pelos Governos pós 25 de Abril. Nunca em sítio algum, nem no plano político nem no económico, se apresentou um «modelo de desenvolvimento» cuja matriz é o «roubo» dos Rendimentos de um Povo - «isso» não constitui um «modelo de desenvolvimento». Ou seja, Portugal nunca teve «em facto» um «modelo de desenvolvimento»; portanto, não digam que o actual modelo-de-desenvolvimento está esgotado, há não ser que queiram dizer que já não há mais nada para roubar. Bem..., e os processos judiciais em curso, e outros que nem judiciais se tornaram, envolvendo sempre as elites políticas, mostram o quanto a matriz política do País foi o «Roubo», pura e simplesmente o Roubo, ainda que parte dele «legalizado» - afinal, «o Modelo».
Ainda dissecando o «o óbvio», de que crescimento estão a falar aqueles que dele falam? Se não há dinheiro, nem para pagar as dívidas que se vencem, aonde pensam eles ir-buscar o crescimento?
Pelo discurso, parece que pensam ir buscá-lo à Alemanha. Afinal, «o rico tem obrigações para com o pobre», nem que seja quando tal pobre ficou pobre porque os seus próprios irmãos se encarregaram de o espoliar!
Ainda pelo discurso, parece que acham que o ainda existente «modelo de crescimento» não está esgotado - afinal, agora há que pagar dívidas e fazer-crescer, e, «isto» é também um bom negócio, especialmente se há alguém (e só pode ser a Alemanha) que caia na esparrela de enfiar dinheiro nisso.
Bem..., parece que é óbvio que a negociata «quer continuar». E, se antes ela foi feita para «salvar o povo e o trabalhinho do povo», agora ela também é feita para «salvar o povo e o trabalhinho do povo». Basta de austeridade - claro, a do povo, porque a «deles» não existe.
E, não existe, tanto que as PPP's não foram mexidas até agora; e, agora, as que estão a ser mexidas são-no com o beneplácito dos próprios Privados - «o beneplácito», que o Ministro da Economia quer camuflar como se tratasse de um imposto por ele imposto a tais PPP's, ainda que o próprio Tribunal de Contas afirme que tais PPP´s são bandidagem «legalizada». Aliás, a favor das PPP's, um Secretário de Estado foi posto na rua e outro foi corrigido.
O «modelo de desenvolvimento» não está afinal esgotado: «Basta de austeridade, é preciso crescimento» - é a forma «actualizada» desse modelo. Aqueles que levaram o País à ruína, são agora aqueles que se propõem tirar o País da ruína - acreditam?
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