sexta-feira, 23 de março de 2012

Não deixem que Sócrates seja transformado num bode expiatório

Desde há algumas semanas a esta parte, tudo-e-todos caiem sobre Sócrates. Parece até que a Polícia Judiciária e os Tribunais começaram a funcionar, claro: contra Sócrates. A semana passada, já Miguel Sousa Tavares referiu no Expresso que Sócrates estaria a ser apontado «o Culpado», como se todos-os-outros fossem uns santinhos, ludibriados como o Povo português.

Como é evidente,isto não acontece por acaso. Aliás, como a comunicação de massa em Portugal é controlado pelo Estado e pelos poderes acantonados no Estado, esta diabolização de Sócrates foi encomendada - afinal, convém haver um bode expiatório para que os culpados possam passar despercebidos, possa nem ser-lhes exigido responsabilidade alguma pela forma como deixaram o País.

Face ao bode expiatório, o que me preocupa não é nem o bode - que de facto também é culpado - nem os seus amigos, que agora o querem sacrificar num altar que os purifique.
O que me preocupa é que se perca a oportunidade para corrigir aquilo que sistematicamente tem re-conduzido o País e o Povo português à miséria e a uma vida des-Humana. Se com esta Crise não se aproveita a oportunidade para pensar o que está mal, o que conduziu o País a tal situação, de facto não será correcto afirmar, quando a Crise desaparecer, que ela foi superada, porque ela voltará a repertir-se - e, mais uma vez, impedirá Portugal de «arrancar».

Isto já aconteceu pelo menos uma vez. Salazar foi chamado ao poder do Estado para resolver uma Crise provocada pela dívida soberana criada pelo 1º República - afinal, também então os republicanos (e possivelmente a maçonaria) foram os responsáveis pelo surgimento de uma Crise semelhante à actual, e, como tal, ao surgimento do Salazarismo. O certo é que, com trabalho -e muita sorte, já que a guerra em Espanha e na Europa veio ajudá-lo -, Salazar resolveu o problema da dívida soberana e deixou os cofres do País cheio de ouro.
Todavia, e aqui queria chegar, a Crise não foi efectivamente resolvida - ainda que a dívida tenha sido paga e o Estado estivesse rico. A Crise continuou, porque o Povo português continuava a viver na miséria, continuava analfabeto e incompetente (exportando trolhas e criadas), quando ao lado dele o europeu «crescia» (e dava emprego a trolhas e criadas).
De tal modo a Crise não foi resolvida, que voltou a estoirar 40 anos depois por uma questão semelhante: a dívida soberana (cometida pelos mesmos republicanos) - e, deixando o Povo português numa situação semelhante: miserável e iletrado (ainda que certificados de letrados). Como a Europa já não possui poucos lugares para trolhas e criadas, vai-se para África - bem..., é verdade que se qualificou muita gente, gente reconhecida internacionalmente, mas é por demais evidente que alguma coisa de boa teria de acontecer, só se os portugueses fossem «idiotas» é que não teriam minimamente acompanhado os outros povos e a globalização.

Ou seja, não vai ser a resolução da dívida soberana - que aliás parece nem se querer resolver, já que a pretensão é «voltar aos mercados», isto é: pagar a dívida com nova dívida e aumentar a dívida actual - que vai tirar o País da Crise, de uma Crise que na realidade começou desde a queda da monarquia (com certeza, até muito antes) e que perdura hoje, com alguns intervalos nos quais o Povo português viveu «bem» porque vivia de empréstimos.

Depois de tantas experiência políticas e de tantos D. Sebastião 's (Primeiros-Ministros e Presidentes), talvez fosse bom tentar reflectir no que está mal. Só pensar que os políticos são corruptos e incompetentes não chega para explicar o que se tem passado.
Arranjar um bode expiatório é meter a cabeça na areia - ainda que, em termos pessoais, seja a solução para muita gente sair disto tudo pouco beliscada. Mas, para o Povo português será uma desgraça, vai mais uma vez impedir a localização de «o problema»: o que faz com que este Povo, que já foi exemplo mundial, se amarre ao seu atraso e miséria.

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