terça-feira, 13 de março de 2012

Como a arquitectura societária portuguesa amarra Portugal ao atraso e gerou a Crise (I)

Olhando para a História recente de Portugal, torna-se claro que o país tem-se preservado continuamente atrasado face aos países da Europa Ocidental e, hoje, consegue continuar a estar atrasado relativamente a muitos dos países do Leste que recentemente integraram a União. A Crise que Portugal vive hoje vai empurrá-lo ainda mais para trás - se a isso associarmos os seus indicadores demográficos, Portugal está «a desaparecer».

No mínimo, seria de perguntar: o que se passa? Como foi que as elites portuguesas, recentes e actuais, conduziram Portugal e os portugueses a este «estado»?
Será que Mário Soares, um dos Fundadores do pós 25 De Abril, não se perguntará sobre «o que falhou?» Ou, achará que tudo está bem, é «natural» - ainda que não o seja para os «outros», que conseguem «descolar» e desenvolver-se: ficar à frente de Portugal, colocando os seus povos a viver melhor que os portugueses!
Será que as elites portuguesas não «sentem» vergonha de si-próprias, já que a sua própria Imagem é a Imagem que os portugueses, seus conterrâneos, dão «lá fora» ou dão «cá dentro» aos estrangeiros? Ou seja, a de um povo miserável e atrasado, explorado até à míngua pelas suas próprias elites, no seio da qual impera uma corrupção legalizada. Ou será que pensam que o estrangeiro se deixa enganar pela «aparência», pelas «novas oportunidades» que tão artisticamente criaram? Se pensam isso, parece que as agências de rating foram as primeiras a dizer: o rei vai nu. Foi «sol de pouca dura» a aparência.
Será que as maçonarias, ou mesmo a Igreja, cuja influência em Portugal se diz «muito grande», estão contentes consigo mesmas? Um país que no início do século tinha mais de 60% de analfabetos e agora está cheio de iletrados (das velhas e novas oportunidades) - afinal, o «analfabeto de hoje» tem de saber inglês e mexer em computadores, nem que seja para preencher os impressos para pagar com a necessária celeridade os tão queridos Impostos que vão parar às mãos das elites!

O «atraso» português é secular! A caracterização que hoje se faz de Portugal é muito semelhante à que Eça de Queiroz fazia há 150 anos atrás. Como as elites têm mudado, há algo mais profundo que pré-Determinada esse fado a Portugal e aos portugueses - evidentemente, aos que «cá ficam», porque os que se «vão embora», não se distinguem de qualquer «bem sucedido» cidadão do país de acolhimento.

Ou seja, é admissível considerar que é a própria arquitectura societária da sociedade portuguesa que gera o seu persistente «atraso».

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